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Director da S21 no Camboja pela primeira vez em tribunal, 35 anos depois dos crimes

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Director da S21 no Camboja pela primeira vez em tribunal, 35 anos depois dos crimes

Director da S21 no Camboja pela primeira vez em tribunal, 35 anos depois dos crimes
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Trinta anos depois, começa a fazer-se justiça no Camboja.

Kaing Guev Eav, mais conhecido por Duch, foi chefe máximo da S21, uma prisão onde a tortura do regime de Pol Pot atingiu o apogeu. Duch é o primeiro a ser julgado no tribunal criado pelo governo do Camboja e pelas Nações Unidas. É acusado de crimes de guerra e crimes contra a humanidade e de ser responsável por mais 16 mil mortes, em apenas quatro anos de regime, de 1975 a 1979. A maior parte dos líderes dos Khmer Vermelhos já morreram. Restam quatro que vão também enfrentar julgamento. Um dos sobreviventes da prisão S21 diz que hoje foi o dia da humilhação para Duch, mas não tem a certeza de que os juízes cheguem a fazer justiça pelo povo. Um quarto da população cambojana, ou seja, dois milhões de pessoas, desapareceram com Pol Pot no poder. Duch converteu-se ao cristianismo depois da queda do regime, foi detido em 1999. Um habitante de Phnom Penh sente-se feliz, esperou 30 anos para ver Duch em tribunal, quer justiça para o país e em nome das pessoas que sofreram com o regime. A prisão S21, que não era mais do que um centro de tortura, foi palco de milhares de atrocidades: os sobreviventes testemunharam detidos que sangraram até morte ou que foram afogados. Duch, o director da prisão na altura, assumiu a culpa nos crimes.