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Milutinovic, o homem do aparelho

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Milutinovic, o homem do aparelho

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Milan Milutinovic foi eleito presidente da Sérvia em Dezembro de 1997 como candidato do Partido Socialista, o mesmo a que pertencia Slobodan Milosevic. Ao assumir o cargo, Milutinovic torna-se membro do Conselho Supremo de Defesa da República Federal da Jugoslávia. Fica assim associado às decisões relativas às forças armadas.

Como presidente da Sérvia, Milutinovic gozava de vastos poderes mas é considerado como uma marioneta de Slobodan Milosevic, na altura presidente da Jugoslávia. Assim, os seus poderes adquirem um cunho largamente simbólico. Licenciado em Direito, antigo embaixador e ministro dos Negócios Estrangeiros em 1995, altura em que decorreram as negociações de Dayton, Milan Milutinovic faz parte do aparelho de estado. Em 1999, participa nas negociações de Rambouillet, altura em que o Grupo de Contacto tenta em vão fazer com que Belgrado aceite uma considerável autonomia para o Kosovo. No terreno, os conflitos entre as forças sérvias e os independentistas albaneses na província sérvia renovam a pressão sobre a região. Perante a ausência de um acordo, a repressão sérvia abate-se sobre o Kosovo e nas semanas que se seguem cerca de 800 mil albaneses do Kosovo fogem da província. A situação traz à memória a limpeza étnica na Bósnia e na Croácia. Milan Milutinovic foi acusado de crimes de guerra e contra a Humanidade em Maio de 1999, altura em que a violência dominava o Kosovo. Protegido por imunidade presidencial, Milutinovic acabaria por cumprir o seu mandato que se prolongou até ao final de 2002. Em Janeiro de 2003 rendeu-se às autoridades sérvias a fim de comparecer perante o Tribunal Penal Internacional para a Antiga Jugoslávia. 2:48 fin