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Um mês depois do cessar-fogo Gaza continua à espera de reconstrução

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Um mês depois do cessar-fogo Gaza continua à espera de reconstrução

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Já passou mais de um mês desde que o Hamas e Israel anunciaram os respectivos cessar-fogos unilaterais. Mas em Gaza, com excepção para o barulho ensurdecedor das metralhadoras e dos bombardeamentos israelitas, os palestinianos continuam a viver em tendas e sem alimentos.

Ilham al Attar, vive num campo de refugiados em Gaza e está desesperada. “Eles falam, falam, mas veja o que nos aconteceu! Eles não querem saber de nós. Os nossos filhos estão doentes por causa do frio. Olhe para as tendas. Na noite passada foram levadas pela tempestade. Os nossos filhos estão doentes.” A ofensiva israelita na Faixa de Gaza durou 22 dias, matou mais de 1300 palestinianos e provocou importantes danos materiais. O conselho económico palestiniano para o desenvolvimento e reconstrução diz que o valor dos estragos é superior a 1,5 mil milhões de euros. Vinte mil casas ficaram danificadas e cinco mil completamente destruídas. O valor da reconstrução destas casas ascende a 370 milhões de euros. De acordo com os palestinianos, os esforços de reconstrução estão condenados ao fracasso, devido ao bloqueio israelita que impede a entrada em Gaza de material de construção como o cimento ou o ferro para impedir o Hamas de o utilizar para a construção de bunkers ou túneis. Em Jabaliya, no norte da Faixa de Gaza, os habitantes compram o material existente no mercado negro para poderem reconstruir as suas casas. Hussein Jneid conta que “o saco de cimento passou de sete para sessenta dólares. O ferro que utilizamos é reciclado porque o material não atravessa a fronteira.” As restrições fronteiriças perturbam até a ajuda mais urgente. Milhares de toneladas de ajuda humanitária estão bloqueadas à entrada de Gaza. de acordo com o chefe da agência das Nações Unidas para os refugiados no território (UNRWA), John Ging. “Nunca foi tão urgente encontrar soluções para abrir os postos fronteiriços, para que a ajuda entre. Mas devo dizer, e isto tem que ficar claro, não estamos sequer a conseguir fazer passar a comida e os medicamentos que foram dados.” Estes prédios em Khan Younes que deviam alojar palestinianos que viram as suas casas serem destruídas por outras ofensivas israelitas ainda não puderam ser terminados devido ao bloqueio.