Última hora

Última hora

Crise económica obriga Pequim a rever políticas

Em leitura:

Crise económica obriga Pequim a rever políticas

Tamanho do texto Aa Aa

A crise económica está a obrigar a China a rever as suas posições políticas. Na abertura da reunião anual da Assembleia Nacional Popular chinesa, esta quinta-feira, o primeiro-ministro Wen Jiabao indicou que o seu governo estava pronto para pôr um termo às hostilidades e negociar com Taiwan.

As relações entre Pequim e Taipei têm vindo a melhorar e a crise tem servido de verdadeiro acelerador em termos de trocas comerciais e investimentos. Os perto de 3000 delegados vindos de todo o país e que vão estar reunidos durante nove dias no Grande Palácio do Povo, na Praça Tiananmen, não escondem as suas preocupações pela forte contracção do crescimento económico e pelo aumento do desemprego. Em Novembro de 2008, o governo anunciou um plano de relançamento de mais de 450 mil milhões de euros para travar a queda do PIB, que perdeu 6,8% no último trimestre do ano passado. Se Wen Jiabao fixou o objectivo de crescimento nos 8% para 2009 é porque, de acordo com os analistas, só a partir desta taxa é que Pequim pode conter o desemprego, cuja taxa está actualmente nos 4,2%, mas pensa-se que na realidade esta percentagem seja superior a 8%. Isto mesmo defende o analista Wang Zhiyong, da Academia das Ciências Sociais chinesa, ao referir que “a taxa de desemprego vai subir para 8% ou 9%. O que temos para já é apenas o desemprego registado pelo governo nas cidades e não tem em conta os trabalhadores migrantes.” Os analistas estimam que pelo menos 20 milhões de migrantes chineses perderam o emprego com o encerramento das fábricas cuja actividade se centrava na exportação. A outra grande vítima do abrandamento económico chinês são os jovens diplomados. Há dois anos, arranjar trabalho depois de concluídos os estudos era uma tarefa relativamente fácil. Hoje, as dificuldades vão-se acumulando e os salários propostos são cada vez mais limitados. Com o abrandamento económico, as autoridades temem os movimentos de contestação social, como o dos trabalhadores que vieram de todo o país para protestar contra o seu despedimento à frente da sede do Banco Industrial e Comercial da China, no passado dia 24. Para evitar uma recrudescência das manifestações, o poder chinês previu um aumento das despesas, nomeadamente no que diz respeito ao sector da saúde e do emprego. Para além de evitar o descontentamento das famílias, Pequim tenta assim canalizar as poupanças dos chineses para o consumo. E quando se fala de consumo, fala-se de crescimento económico.