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Aborto de menina de nove anos violada divide o Brasil

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Aborto de menina de nove anos violada divide o Brasil

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No Brasil, ganha terreno a polémica sobre o aborto da menina de nove anos, grávida de gémeos depois de ter sido violada pelo padrasto. Membros da Igreja Católica brasileira duvidam do diagnóstico dos médicos, defendendo a excomunhão da mãe da menina e de todos os envolvidos no aborto.

É a retaliação às críticas do presidente Lula da Silva sobre o “conservadorismo” da Igreja por esta ter decretado a excomunhão. O presidente brasileiro afirmou: “Não é possível permitir que uma menina violada pelo padrasto tenha este filho. Até porque a menina corria risco de vida. Acho que neste aspecto a medicina está mais correcta do que a Igreja”. A menina estava grávida de 15 semanas de gémeos. A equipa médica do Recife defende que corria risco de vida. Era violada desde os seis anos, entrando assim no quadro da lei brasileira que permite o aborto, como explica um dos médicos. Olímpio Moraes defende: “Há dois aspectos neste caso que o tornam legal, ou seja, a violação e o risco de vida. Ela está incluída nos dois. Como médico não posso deixar que uma menina de nove anos seja submetida a um tal sofrimento e pague mesmo com a própria vida”. O arcebispo de Olinda e Recife excomungou a mãe da menina, os médicos e de todo o pessoal envolvido no aborto, evocando a primazia da lei divina sobre a humana. Segundo o arcebispo José Cardoso Sobrinho, “a lei de Deus está acima de qualquer lei humana. E se a lei humana é contra a lei de Deus, então não têm nenhum valor”. O caso está a dividir o Brasil. O Vaticano apoia a decisão do arcebispo do Recife, que não inclui o violador, que foi detido e incorre numa pena de 15 anos de prisão.