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Stanishev: "Por trás das reformas, há pessoas reais na Bulgária, que estão a trabalhar imenso"

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Stanishev: "Por trás das reformas, há pessoas reais na Bulgária, que estão a trabalhar imenso"

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A euronews entrevistou o primeiro-ministro da Bulgária, Sergei Stanishev. Uma entrevista sobre a crise energética, que deixou os búlgaros sem aquecimento este Inverno, e a perda de fundos da União Europeia, motivada pela má gestão e a ineficácia no combate ao crime organizado e à corrupção.

euronews: Se houver uma nova crise energética, o que é que vai fazer?

Sergei Stanishev: O meu país tem o seu próprio plano de acção para uma situação de crise como essa. Nós temos um armazenamento subterrâneo, que usámos durante a crise de Janeiro e que cobriu cerca de 40% da média diária do abastecimento nacional, mas mentiria se dissesse que não sofremos bastante. A nossa economia sofreu. E eu acho que deve ser dito de forma bastante clara que, agora mesmo, essas situações são inaceitáveis. Os cidadãos europeus não podem ser reféns de conflitos económicos bilaterais, ou mesmo de conflitos políticos, porque, a longo prazo, os dois países, Rússia e Ucrânia, iriam perder a sua credibilidade. E: Qual é exactamente o plano que a União Europeia e a Bulgária… SS: Diga-me, se tiver uma receita, agora mesmo, para o que deve ser feito. Eu aceito-a, com prazer. Mas os milagres não acontecem de um dia para o outro, especialmente quando se fala de diversificação das fontes de abastecimento de gás, de interligações ou de outra coisa. É preciso tempo para construir. E: A Bulgária sofreu um corte de 500 milhões de euros em fundos europeus, por causa de má gestão. Portanto, está à espera de novos fundos para interligações no sector energético? SS: Os especialistas e os políticos estão a perceber os esforços que têm sido feitos pelo Governo búlgaro, ao alterar a legislação, criar mecanismos mais transparentes, tornar a administração mais eficiente, mudar as pessoas na administração, nos sectores em que é necessário, especialmente na gestão de fundos. E estamos completamente abertos a uma cooperação estreita e a uma monitorização, porque temos apenas um objectivo… E: O seu país perdeu fundos no valor de 500 milhões de euros para criar infra-estruturas. Como é possível lidar com esta perda de dinheiro? SS: Alguns dos fundos foram perdidos de forma irreversível, outros não. E nós estamos a fazer o nosso melhor nas reformas estruturais, na mudança de pessoal, criando novas regras e estamos completamente abertos à Comissão Europeia, para garantir que este dinheiro seja usado eficazmente e de uma maneira transparente. E: O seu Governo está a fazer o suficiente para enfrentar a corrupção, que está a afectar a distribuição destes fundos? SS: Bem, eu acho que qualquer governo de qualquer país europeu pode fazer sempre mais. E eu acho que este Governo provou a sua vontade política de abordar a questão do crime organizado e da corrupção de uma maneira séria. Se olhar inclusive para as notícias da Bulgária, nos últimos meses, pode ver quantos golpes práticos, não apenas acções administrativas, nem legislativas, mas golpes contra o crime organizado foram realizados pelas autoridades. Mas ainda mais importante é aprofundar a reforma judicial, de forma a que quando se apanhar um criminoso, um oficial corrupto, uma pessoa corrupta ou um elemento do crime organizado, quando for levado a tribunal, o caso seja resolvido e haja uma sentença. E: Mas há muitos casos ainda por resolver… SS: Isso é um problema e é nisso que estamos a trabalhar. Mas pense nisto: se algo aconteceu há dez anos e o trabalho não foi feito, na altura, pelas autoridades, como podemos resolver agora e obter provas, dez anos depois. Já alguma vez viu um filme policial? E: Há um relatório importante da OLAF, a unidade anti-corrupção da União Europeia, que não é muito favorável para a Bulgária. Um relatório de 2008, não de há dez anos… SS: Não é de há dez anos, mas há um progresso desde então e que também foi declarado pela OLAF. Há unidades comuns do Gabinete do Procurador e de outras instituições, incluindo a Agência de Segurança Nacional, o Ministério do Interior, que estão a trabalhar nos casos de fraude com fundos europeus. Não são apenas alguns casos, mas dezenas… não sei se o senhor está consciente disto. E: E a Comissão Europeia? Acha que agiu mal ao congelar os fundos para a Bulgária por causa do crime e da corrupção? SS: Penso que não foi esta a razão e a motivação da Comissão. Houve problemas e falhas na gestão dos fundos. Ao mesmo tempo, há um progresso e várias reformas sérias estão em curso… E: Mas eles estão certos ou errados? SS: O senhor está a tentar confrontar-me com a Comissão Europeia, mas não vai conseguir. Tem existido uma cooperação muito aberta e sincera… E: Não estou a tentar confrontá-lo. Estou apenas a perguntar se… SS: Bem, pode repetir a mesma pergunta dez vezes, que eu vou dar-lhe a mesma resposta. Por trás das reformas, há pessoas reais na Bulgária: políticos, especialistas, pessoas da administração, que estão a trabalhar imenso e que necessitam de encorajamento. EE: Considera que a Europa Central e de Leste precisa de uma espécie de resgate financeiro? Ou acha que é melhor não o fazer? SS: Até ao momento, o meu país não pediu um único cêntimo ao Banco Central Europeu, nem a ninguém, porque nós seguimos uma política macroeconómica, fiscal e financeira sóbria. Efectuámos reformas na Bulgária nos últimos anos. Mas é importante dar, aqui, sinais muito claros de que somos apenas uma entidade, que ninguém vai ser deixado de fora, seja um país da Zona euro, do mecanismo ERM2 ou um país fora deste sector, porque… Veja, se formos rigorosos, alguns países deveriam ser expulsos da zona euro, mas, graças a Deus, ninguém está a pensar nisto, porque se não houvesse a zona euro, o efeito da crise financeira seria devastador para muitos dos antigos Estados-membros e para os seus sistemas financeiros. Portanto, sejamos pragmáticos, sejamos solidários, e procuremos decisões que ajudem a economia europeia como um todo e que protejam os europeus.