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Irlanda do Norte: processo de paz posto à prova

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Irlanda do Norte: processo de paz posto à prova

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Os atentados dos últimos dias constituem uma prova ao processo de paz na Irlanda do Norte. Em 1998, foram assinados os acordos de paz de Sexta-feira Santa, mas apenas nove anos depois, foi formado um novo Governo, partilhado entre os inimigos do passado: o protestante Ian Paisley e o católico Martin McGuiness. Mas a violência nunca desapareceu totalmente da província. Nos últimos meses, cinco elementos da polícia ficaram feridos em ataques isolados.

“Dissemos várias vezes, nos últimos nove meses, que a ameaça, na Irlanda do Norte, contra os polícias e os militares aumentou. Não vão ver uma grande mudança na resposta policial apenas por causa do que aconteceu. Estamos determinados a efectuar um policiamento proporcional à ameaça, mas é maior do que era”, afirmou o chefe da da polícia da Irlanda do Norte, Hugh Orde. Esta força foi reconhecida, em 2007, pelo Sinn Fein. O principal partido católico do Ulster sempre tinha acusado a força de parcialidade, a favor dos protestantes. O reconhecimento foi uma das condições indispensáveis para a retoma do processo de partilha do poder, bem como o desarmamento do Exército Republicano Irlandês (IRA). Mas certos grupos dissidentes do IRA sempre recusaram o processo de paz. “O IRA-Verdadeiro teria dezenas, talvez até cem membros. Teve um sucesso limitado no recrutamento. O seu armamento é pobre e o seu material limitado”, disse o professor da Universidade de Queens Rick Wilford. Os grupos clandestinos parecem já não contar com o apoio popular, nem mesmo com o do antigo braço político do IRA. “É uma tentativa de subverter o processo de paz. É uma tentativa de voltar ao conflito, de trazer mais soldados britânicos para as ruas, para marginalizar políticos e não vamos deixar que isso aconteça”, garantiu o líder do Sinn Fein, Gerry Adams. A resposta a esta tentativa de destabilização não vai ser o envio de novas tropas britânicas, o que poderia ser um duro golpe para o processo de paz. Chegaram a ser 27 mil os soldados de Sua Majestade, na Irlanda do Norte. Hoje não passam de cinco mil.