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Momcilo Krajisnik: ideólogo da limpeza étnica na Bósnia

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Momcilo Krajisnik: ideólogo da limpeza étnica na Bósnia

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No final dos anos 90, Krajisnik era ainda bem visto, porque o seu envolvimento e influência nos acontecimentos da Bósnia não eram conhecidos publicamente. Em 1996, os acordos de Dayton que selaram uma paz frágil na Bósnia um ano antes, tinham instituído uma presidência tricéfala: um muçulmano, um croata e este sérvio, Momcilo Krajisnik partilham o poder.

Mas a Bósnia acabava de herdar – também um caso histórico – um homem que não reconhece o país do qual é co-presidente. Contrário aos acordos de Dayton, que denuncia como uma paz injusta, Krajisnik continua a reclamar um estado para os sérvios. E é em Pale, bastião dos ultranacionalistas sérvios, a duas dezenas de quilómetros de Sarajevo, que ele manobra contra a reunificação da Bósnia, ao lado do seu velho amigo Radovan Karadzic. Com ele tinha fundado em 1990 o Partido Democrata Sérvio. Os dois estiveram na origem do programa de limpeza étnica que esteve no centro do conflito da Bósnia. Mas quando Karadzic cai sob a acusação de crimes contra a humanidade e decide pôr-se em fuga, é Biljana Plavsic quem o substitui na liderança da República Serpska, que apoia o processo de paz e que acaba por valer a Plavsic a clemência dos juizes de Haia que a condenaram apenas a 11 anos de prisão. Mas os juizes não tiveram a mesma atitude em relação a Krajisnik. Condenado uma primeira vez, em 2006, a 27 anos de prisão, beneficiou no recurso de uma redução de pena e tinha já, em primeira instância, sido absolvido das acusações de genocídio e cumplicidade em genocídio… Uma decisão controversa. Nove anos após a sua detenção, a 3 de Abril de 2000, em Pale, na sua residência, Momcilo Krajisnik conhece então o seu destino. Esta condenação é uma nova pégina do doloroso processo de reconstrução da Bósnia, cerca de 15 anos após o fim da guerra.