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10 anos sobre o bombardeamento de Belgrado

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10 anos sobre o bombardeamento de Belgrado

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A 24 de Março de 1999, as bombas da NATO abatem-se sobre Belgrado. Os bombardeamentos deviam durar três a quatro dias, o tempo de trazer a Sérvia à mesa das negociações, mas acabam por se arrastar por 78.

O ministro da Defesa sérvio, Dragan Sutanovac, considera que “não era normal” uma nação ser bombardeada na passagem de dois milénios e de dois séculos, acrescentando, que “a NATO poderia ter atingido os mesmo objectivos gastando menos energia e poupando os cidadãos.” O objectivo é atingido 11 semanas mais tarde. No início de Junho, os enviados especiais da União Europeia e da Rússia obtem um acordo de Slobodan Milosevic e as tropas sérvios retiram-se do Kosovo. Enquanto, dezenas de milhares de sérvios temem represálias dos kosovares albaneses. Milivoje, um refugiado recorda-se deste dia. “É uma sensação terrível. Quando se tem algumas horas para decidir o que fazer, para onde ir, como passar as barricadas, o que levar de casa num saco plástico – que é a única coisa que se pode levar – é uma experiência horrível pela qual não gostaria de ver passar ninguém” afirma. A guerra entre as forças da ordem sérvias e os rebeldes albaneses do Exército de Libertação do Kosovo – UCK – que se arrasta desde 1996 sofre uma reviravolta com a repressão sérvia que força centena de milhares de albaneses ao exílio. Depois vem o massacre de racak que vai servir de pretexto para a agressão Em Fevereiro, a Alemanha, os Estados Unidos, a França, o Reino Unido e a Rússia tentam um acordo através da diplomacia no castelo Rambouillet, sem sucesso. O UCK recusa o estatuto de autonomia, enquanto Belgrado diz não à presença de uma força internacional na província. Os rumores de um plano de depuração étnica de grande escala aumentam e a NATO decide intervir. Na mira da Alinaça Atlântica estão os alvos militares, mas a ofensiva acaba por matar pelo menos 500 civis. Os estigmas do ataque aéreo estão ainda bem presentes Ao fim de 10 anos, vários edifícios militares no coração de Belgrado continuam esventrados. Depois dos bombardeamentos, o Kosovo fica sob a administração da ONU. Em 2007 a província proclama a independência de forma unilateral