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Europa e Estados Unidos à procura de um consenso na cimeira do G20

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Europa e Estados Unidos à procura de um consenso na cimeira do G20

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A falência do banco norte-americano Lehman Brothers tornou-se num dos símbolos do impacto fulminante da crise económica internacional.

Mas, face a um problema global, Europa e Estados Unidos continuam sem chegar a um consenso sobre as medidas a tomar para relançar a economia. Para Washington a pioridade passa por estimular o consumo, através de uma baixa dos impostos, como sublinha Hillary Clinton: “Queremos fazer com que a economia global volte a funcionar. Uma vez concretizado esse objectivo, necessitamos de implementar um conjunto de regras para evitar que o problema volte a repetir-se. Estes dois passos têm de ser aplicados em simultâneo. Alguns países poderão privilegiar apenas uma das vias, mas o esforço tem de ser colectivo”. Mas para a União Europeia está fora de questão voltar a pôr a “mão ao bolso”. Com 3,3% do PIB dedicado a medidas de relançamento económico, os 27 não querem arriscar-se a aprofundar os défices nacionais, como sublinha o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso: “Não podemos pedir aos 27 estados membros que adoptem todos as mesmas medidas, pois as situações são distintas. Alguns países estão a tentar equilibrar a balança comercial e nós estamos a pedir-lhes que reduzam as despesas. Mas de uma forma geral há um esforço comum de 400 mil milhões de euros, é uma contribuição importante para a Europa e para a procura mundial”. Nos Estados Unidos a crise provocou uma queda no consumo. Para relançar o motor da economia a receita de Obama não é válida deste lado do Atlântico, como afirma um economista: “Há um desentendimento sobre as medidas a tomar, pois nos Estados Unidos as famílias poupam mais e obrigam o governo a gastar mais para evitar uma queda da procura. Na Europa, as famílias não estão a poupar mais, por isso não há tanta necessidade de atribuir estímulos fiscais. E na maioria da Europa esse estímulo acabaria por ter pouco impacto, uma vez que as ajudas do governo seriam transferidas directamente para as poupanças”. Em economias altamente dependentes da indústria como a Alemanha ou França o combate ao desemprego é uma prioridade. Mas mesmo neste ponto há diferenças abismais dos dois lados do Atlântico, como sublinha o patrão de uma grande empresa europeia: “O problema dos Estados Unidos é muito diferente do problema europeu. Porquê? porque na Europa a segurança social, a protecção dos pobres e o ensino já estão previstos nos orçamentos nacionais. Nos Estados Unidos nada disto existe e para introduzir estas ajudas o Estado vai necessitar de mobilizar outros meios de que já dispomos actualmente. Há uma situação orçamental totalmente diferente”.