Última hora

Última hora

Conservadores voltam a ganhar eleições europeias mas os extremos ganham poder

Em leitura:

Conservadores voltam a ganhar eleições europeias mas os extremos ganham poder

Tamanho do texto Aa Aa

Apesar da crise e das críticas ao liberalismo capitalista, os conservadores do Partido Popular Europeu (onde tem assento o PPD-PSD português) deverão ganhar novamente as eleições europeias de Junho próximo, e os socialistas mantêm o segundo lugar. Os populares deverão, contudo, perder 4% dos assentos, mas os socialistas só recuperam dois por cento.

Esta é a previsão de um novo estudo, agora publicado, desenvolvido por politólogos, Simon Hix, da London School of Economics and Political Science e Michael Marsh, do Trinity College, de Dublin. Assim, os cientistas prevêem que a ordem dos partidos se manterá, no novo hemiciclo de Estrasburgo, que terá menos assentos do que o actual (736 contra os actuais 785), por causa da entrada em vigor do Tratado de Nice. Mas os extremos ganham poder. A direita mais soberanista, por exemplo, liderada pelos “tories” britânicos, dissidentes do PPE, formará o quarto grupo, mais forte do que a actual União para a Europa das Nações, o que não surpreende os autores do estudo. “O apoio aos partidos da extrema-esquerda, em França e de extrema-direita, na Holanda, por exemplo, aumentou ligeiramente. Contrariamente ao que podíamos pensar, a crise económica não favoreceu os sociais-democratas. O efeito eleitoral vai sobretudo no sentido da fragmentação dos votos nos extremos”, explica Simon Hix. O estudo é realizado com base num modelo estatístico que combina os resultados de todas as eleições europeias desde 1979, os resultados das últimas eleições nacionais em cada um dos Vinte e Sete, e as sondagens; e é actualizado semanalmente no site tagURLhttp://www.predict09.eu. E mesmo se o estudo não contempla a taxa de participação, podemos acreditar que ela terá tendência a aumentar, se tivermos em conta esta análise de Michael Marsh, o outro politólogo: “Na actual conjuntura, a Europa ganha uma importância que pode não ter tido no passado. Vemos, que a Dinamarca, por exemplo, está outra vez a pensar na adesão ao euro. Vemos, na Irlanda, uma inversão na forma como as pessoas vêem o Tratado de Lisboa… Há muita gente que começa a ver que a Europa afinal pode ser mais importante do que pensava.” Há 30 anos que os eurodeputados são eleitos por sufrágio universal directo. Desde 1979, a taxa de participação não parou de baixar: de 63%, nesse primeiro escrutínio, para apenas 45%, nas últimas eleições, em 2004. A Europa conta cerca de 375 milhões de eleitores, dos Vinte e Sete Estados membros, que serão convidados a escolher os seus deputados entre 4 e 7 de Junho.