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Testemunhos de quem perdeu tudo

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Testemunhos de quem perdeu tudo

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Passado o choque inicial, algumas das vítimas do terramoto conseguem já falar do sucedido, para contarem o que viveram, ou para exteriorizarem o que lhes vai na alma e o receio quanto ao futuro.

Uma mulher conta: “Eles tiveram que escavar para me retirarem porque eu estava completamente coberta de escombros. Só tinha os braços de fora dos destroços”. Nas ruas desertas, reina a desolação e a incerteza para muitos de poderem um dia voltar a refazer a vida no mesmo local. Uma outra mulher diz que não sabe quando poderá voltar a casa, que isso se calhar “não é mais do que um sonho”. “Paciência”, acrescenta, “o importante é salvar a vida”. “Somos como fantasmas. A casa está ali… nestas condições… Passámos a vida a poupar para construir uma casa e agora não temos nada”, lamenta um idoso. “Esperemos que desta vez o governo – e digo-o claramente – seja menos ladrão e mais humano. Porque nós precisamos muito, como muitas outras pessoas”, afirma outro homem. Desabafos de quem perdeu praticamente tudo, mas tenta não perder a esperança. Para além de centenas de vidas e milhares de habitações, o sismo destruiu quase toda a actividade económica da região, baseada no turismo, na agricultura e em pequenos negócios familiares.