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Obama lança ponte sobre o Estreito da Florida

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Obama lança ponte sobre o Estreito da Florida

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A mudança prometida por Barack Obama para a política americana também já atravessou o Estreito da Florida.

No início de Abril, seis congressistas de Washington deslocaram-se a Cuba e reuniram-se com o presidente Raul Castro e o seu irmão e predecessor Fidel Castro. A vontade do Chefe de Estado cubano em pôr um termo à inimizade entre as duas capitais impressionou a comitiva americana. Barbara Lee, congressista americana: “- Falámos evidentemente da vontade da opinião pública americana em levantar o embargo a Cuba. Sessenta e oito por cento dos americanos gostariam de ver as relações com Cuba normalizadas e falámos das implicações deste facto.” O embargo a Cuba foi imposto pelo presidente Kennedy no início dos anos 60. Desde então as várias administrações americanas suavizaram ou reforçaram o embargo consoante a sua posição ideológica. Mas a abertura agora promovida pelo presidente Obama foi a mais significativa. O embargo ter causado um prejuízo à economia cubana da ordem dos 70 mil milhões de euros e acabou por ser ineficaz de um ponto de vista político para Washington já que tinha como objectivo contribuir para a queda de Fidel Castro e consequente democratização de Cuba. Pelo contrário, o embargo foi utilizado pelo regime comunista para justificar a sua existência. Mas a abertura agora decidida por um Washington, embora seja apenas um passo, é também vista como uma possibilidade para o regime reforçar o seu poder. José Gabriel Ramón, antigo prisioneiro político: “- Isto vai ajudar o governo, seguramente, porque vai colocar fundos à disposição da ditadura que podem ser usados para reforçar o aparelho repressivo.” A idade de Raul Castro joga a favor de um Barack Obama que quer recuperar a liderança de Washington no Novo Continente. Em Dezembro, no final da cimeira dos Países da América Latina e das Caraíbas, os presidentes sul-americanos reclamaram o levantamento do embargo a Cuba. Mas desta vez Raul Castro não foi convidado para a Cimeira das Américas que tem início na próxima. Com esta decisão Obama tenta seduzir e mostra que está atento ao que se passa no seu quintal.