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Arte budista em Brelim

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Arte budista em Brelim

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A arte budista da região paquistanesa de Gandhara está em exibição em Berlim, no Martin Gropius Bau.

Uma exposição demonstrativa da rica herança cultural da arte de Gandhara, um cruzamento de diversas culturas. O expansionismo de Alexandre, o Grande introduziu a cultura grega na região que, juntamente com a cultura romana, influenciou decisivamente a produção artística local. Foi uma incursão da cultura mediterrânica, pela Rota da Seda. A mistura completou-se com a presença chinesa e, naturalmente, a indiana. Por isso, são visíveis os motivos gregos e romanos em grande parte das peças de arte budista, expostas agora em Berlim. “É evidente que a arte de Gandhara está sob forte influência ocidental. Alexandre, o Grande conquistou, em 327 e 324 (aC) o Império Persa. Foi de facto a primeira grande surpresa dos ingleses, no SEC XIX, quando viram que a arte de Gandhara tinha muita influência do mundo ocidental. Há muita influência mediterrânica nas figuras, mas também na arquitectura”, diz o curador. E acrescenta que a cultura serve também para mostrar uma região, pouco conhecida dos ocidentais: “É uma aproximação do mundo ocidental a estas regiões que, na sua maior parte, estão agora em guerra. Mostrar que elas tinham um longa e grande tradição cultural. Nós não temos grande conhecimento destas regiões, que só são faladas no jornalismo actual, por causa das mortes e dos assassinatos”. É uma oportunidade para ver, de forma virtual, as estátuas destruídas de Buda e Bamiyan. “Só o Afeganistão pode ter uma decisão final. Se o governo afegão quiser reconstruir as estatuas de Buda, pode fazer-se isso. Eu posso dizer apenas que, numa perspectiva técnica, é possível reconstruir os Budas”, diz o comissário da exposição. Cerca de 300 peças únicas integram este acervo admirável. Esculturas em pedra, moedas e joias de ouro, baixos relevos que nos levam de regresso à idade do ouro, entre os SECs I e V. São peças que pertencem a vários museus do Paquistão que apoiaram esta exposição.