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Um aparelho para provocar avalanchas

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Um aparelho para provocar avalanchas

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Um curioso engenho, com a forma de sino, é a mais recente descoberta tecnológica, para provocar avalanchas, entre as camadas de neve mais inseguras das pistas de squi.

O objectivo da operação é destruir as placas instáveis, antes da abertura das pistas de squi. Em Chambéryna Savoia, há uma empresa que está a desenvolver este novo sistema de produção artificial das avalanchas. Bruno Farizy é um dos homens que o concebeu: “A ideia é criar um composto explosivo no interior deste invólucro metálico, combinando dois gazes: uma parte de hidrogénio e uma parte de oxigénio. E fazemos uma faísca, na parte superior da máquina com o objectivo de inciar a combustão e a explosão que se vai propagar ao longo do cone, para ir fracturar o manto de neve, destabiliza-lo e criar a avalancha”. O invólucro, suspenso de um gancho é colocado debaixo de uma camada de neve, a vários metros do solo. A explosão é telecomandada por um operador, a bordo de um helicóptero. Esta detonação vai provocar uma onda de choque, amplificada pela forma cónica do sino, que vai produzir efeitos, num raio de 30 metros e desencadear a avalancha. Depois de dois anos de elaboração, este novo sistema pretende entrar no mercado. Foi utilizado, pela primeira vez este Inverno, nalgumas estações francesas e italianas. E ainda no Canadá. Mas na Suiça, para criar uma avalancha, o instrumento principal é o explosivo. E a minagem efectua-se, quase sempre, a pé. Estamos em Crans-Montana. O dia acaba de nascer e os pisteiros municiam-se. O método está perfeitamente regulamentado. Os pisteiros podem transportar até 10 quilos de explosivos, na mochila. Para manter a segurança das pistas, numa área como Crans Montana, são utilizadas 10 a 12 toneladas de explosivos, por cada inverno. As novas tecnologias estão ainda longe de substituir a dinamite.De regresso à Alta Savoia e a Châtel, Robert Bolognesi um especialista em avalanchas, fala já na evolução da sua invenção: “Há boas perspectivas de o gaz substituir, pouco a pouco, os explosivos, porque a utilização de explosivos é mais complicada pela regulamentação, por um lado, e depois mais perigosa que a utilização do gaz. É uma solução que é prática e pouco onerosa que funciona muito bem e que, no futuro, se pode desenvolver com aparelhos a gaz”. Este aparelho é o futuro, o sistema accionado por hidrogénio funcionará, um dia, nas estações suiças. Sem helicópteros, o aparelho poderá ser accionado no solo. E, para os rigores climáticos, não há melhor solução, com pessoal bem treinado.