Última hora

Última hora

Zuma: a esperança dos desiludidos

Em leitura:

Zuma: a esperança dos desiludidos

Tamanho do texto Aa Aa

Controverso, mesmo temido pelos brancos, Jacob Zuma é, inegavelmente, o dirigente político mais popular para a maioria da população sul-africana.

Ao apoiá-lo, o eleitorado escolhe um presidente com que se identifica, que incarna tanto esperanças como desilusões. Zuma, o presidente que dança … e canta nos comícios do ANC o famoso hino da luta contra o apartheid: “Passa-me aí a minha metralhadora”, Zuma inicou a carreira política aos 17 anos, quando aderiu ao ANC, em 1959.Foi um membro muito activo até 1963, data em que foi preso em Robben Island com Nelson Mandela. Aproveitou os 10 anos de prisão para aprender a ler e tornar-se quadro do partido. Deixou o país em 75 para um exílio de 12 anos na Suazilândia, em Moçambique e na Zâmbia. Foi vice-presidente entre 1999e 2005. A ascenção à ribalta política fez-se à revelia de Thabo Mbeki. Em Dezembro de 2007, Zuma foi eleito presidente do ANC, com o apoio da esquerda. Nove meses mais tarde, Mbeki foi obrigado a demitir-se da presidência da República. Mbeki, formado numa universidade britânica é o oposto de Zuma, o autodidacta. Adam Habib analisa: “Este vai ser um presidente mais acessível, mais aberto, o que é muito bom para África do Sul. Já tivémos um presidente mais distante neste últimos 8, 9 anos, e queremos alguém mais humano, como Jacob Zuma. Mas também vai afectar a nossa imagem em termos de luta contra a corrupção e temos de viver com isso.” Zuma enfrentava acusações de fraude, corrupção, branqueamento de capitais e associação criminosa, mas o ministério público sul-africano anunciou no dia 6 de Abril que ia arquivar o processo. Herói dos pobres para uns e ameaça à democracia para outros, Zuma é o protagonista do momento.