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Paradoxo da gripe suína começa pelo nome

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Paradoxo da gripe suína começa pelo nome

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Se há algo em que concordam os especialistas é que não há razão para deixar de comer carne de porco. Até porque o vírus não resiste a uma temperatura de cozedura (71°) e, por outro lado, não foi recenseado nenhum animal doente.

Daí o paradoxo deste vírus a que se tem chamado da gripe suína. Nenhuma suinicultura foi afectada e os primeiros casos não apareceram na população rural em contacto com os porcos, mas sim na população urbana. De facto, trata-se de um vírus gripal do Tipo A, H1N1, que tem um potencial pandémico. Mas este vírus resulta da combinação das estirpes suína, aviária e humana, de origem americana e asiática. A mutação deu-se, provavelmente, no continente americano. Actualmente, não está provado que o vírus tenha sido transmitido do animal ao homem. Mas sabe-se que é transmitido do homem ao homem e comporta um elevado risco de pandemia. O especialista John McCauley explica: “É assim que começa uma pandemia: um novo vírus emerge em seres humanos e dissemina-se facilmente entre os homens. As viagens permitem ao vírus circular pelo mundo inteiro muito depressa. “ O H1N1 é o mesmo vírus que, em 1918, matou cerca de 40 milhões de pessoas em todo o mundo (nomeadamente jovens adultos) e que conhecemos com o nome de gripe espanhola ou pneumónica, apesar de se desconhecer a origem do vírus. Mas o país não participou na Grande Guerra e tinha uma imprensa livre que noticiava sem censura. A novidade deste vírus não reside nas diferentes estirpes mas na combinação que resulta delas, contra a qual os seres humanos não estão imunizados, o que inquieta bastante os médicos, pois está a propagar-se rapidamente. Ainda se desconhece se as pessoas fatalmente infectadas foram mortas directamente pelo vírus ou morreram de outras complicações. Resta a protecção. Os ‘stocks’ de Tamiflu, a vacina desenvolvida contra a gripe aviária são de cerca 73 milhões. Por agora, a vacina só retarda a infecção. Entretanto, o uso da máscara é aconselhado porque se trata de um vírus que se transmite pelo ar. Os médicos também recomendam a lavagem de mãos frequente e o limite de contactos.