Última hora

Última hora

MNE russo empenhado no Tratado de Redução de Armas Estratégicas

Em leitura:

MNE russo empenhado no Tratado de Redução de Armas Estratégicas

Tamanho do texto Aa Aa

O chefe da diplomacia russa nasceu no seio de uma família arménia em Tbilissi, na Geórgia. Serguei Viktorovich Lavrov detem o cargo desde 2004. Por vezes é considerado demasiado duro, mas também são sensíveis os dossiês em que trabalha. Sergey Lavrov escreve poemas, canta à guitarra, joga futebol e partica rafting. Vai ter de chegar a acordo com os Estados Unidos sobre o tratado de redução de armas estratégicas, até ao final do ano.

euronews – Ministro dos Negócios Estrangeiros, Lavrov, bem-vindo à euronews. Sergey Viktorovich Lavrov – Obrigado, é um prazer estar aqui. euronews – Há exactamente um mês, o presidente norte-americano Barack Obama assegurou, em Praga, que no final deste ano a Rússia e os Estados Unidos iam assinar um novo acordo para substituir o START-I depois de expirar. Acha que é possível fazê-lo dentro do prazo? E a Rússia está a considerar o plano norte-americano para colocar escudos de defesa anti-míssil na Polónia e na República Checa? SVL – Prefiro julgar esta questão cingindo-me às declarações dos presidentes russo e norte-americano… quando Medvedev e Obama se reuniram em Londres, a 1 de Abril, antes da cimeira oficial e alcançaram acordos fundamentais. O documento requer que as delegações de ambos os países façam o possível por chegar a um acordo antes do fim do ano, data em que expira o START-I, e dar os resultados preliminares em Julho, quando o presidente Obama for de visita à Federação Russa. Outro assunto fundamental é entender claramente a posição norte-americana durante as negociações. Vou estar em Washington a 7 de Maio para me reunir com os colegas norte-americanos. Decerto vamos abordar o tema e fazer o possível para conseguir alcançar o objectivo delineado pelos dois presidentes. Agora, a segunda parte da pergunta sobre os planos norte-americanos para colocar um terceiro escudo anti míssil na Europa. Na declaração sobre as relações bilaterais a 1 de Abril, em Londres, ambos os presidentes encarregaram os governos de examinar a relação entre as armas estratégicas ofensivas e defensivas. Todos os acordos entre a Rússia e os Estados Unidos, entre a União Soviética e os Estados Unidos concluídos até ao presente tropeçaram todos no tratado anti-balístico. Desde que os Estados Unidos deixaram o Tratado, esta interacção foi violada. Agora, em Londres, os dois líderes decidiram que há que ter em conta esta correlação. euronews – Os Estados Unidos declararam que se o problema nuclear iraniano for resolvido, o escudo anti-míssil na Europa deixará de ser útil. Porque é que a Rússia recusa ver a ligação neste caso? SVL – A resposta directa, é que o terceiro escudo anti-míssil, o modo como foi concebido não tem nada a ver com o programa nuclear iraniano. É destinado às forças estratégicas russas, é colocado na parte europeia da Federação da Rússia. Somos muito francos com os parceiros americanos e esperamos que os nossos argumentos sejam aceites. Pelo menos não ouvimos nenhum impedimento profissional aos nossos comentários, até agora. O programa nuclear iraniano é um problema diferente. Vamos abordá-lo segundo a ideia chave de que é preciso prevenir a proliferaçao de armas de destruição em massa. A Agência Internacional de Energia Atómica, AIEA clarifica os problemas à medida da pressão nuclear do Irão. E com a clarificação dos problemas queremos restabelecer a confiança em relação ao programa nuclear do Irão e verificar que os objectivos são pacíficos. Depois disto, nenhum problema ficará na mesa. As posições russa, americana, chinesa e europeia são as seguintes: quando reinar a confiança sobre o facto do programa nuclear iraniano ser de natureza pacífica, o Irão passará a ter direitos de um membro não nuclear que se bate contra a proliferação das armas nucleares. euronews – A Chechénia afectou a imagem da Rússia na Europa. Actualmente, podemos dizer o mesmo em relação à Ossétia do Sul e à Abkhazia. São um problema para as relações entre a Rússia e a NATO? Será que foi um erro reconhecer a independência da Abkhasia e da Ossétia do Sul ou será que foi cedo demais? SVL – Sabe, a Chechénia, enquanto assunto irritante entre a Rússia e o Ocidente, foi, de inúmeras maneiras um caso artificial. A dor era nossa, o problema era nosso, foi-nos criado esse problema, o que era um facto aceite por muitos, nomeadamente pelas forças do terrorismo internacional. Agora, felizmente, a situação é diferente. A paz prevalece, mesmo se continua a haver actos de terrorismo tanto na Chechénia como noutras repúblicas do Norte do Cáucaso. Mas estou convencido de que o povo nessas repúblicas, os russos que lá vivem, fizeram a sua escolha, definitivamente. Relativamente à Abkásia e à Ossétia do Sul, a Rússia reconheceu-as como repúblicas independentes mas não para jogar no xadrez geopolítico. Mergulhámos na situação e colocámos um ponto final na agressão da Geórgia, não para ganhar pontos geopolíticos, mas para salvar vidas humanas, para garantir a segurança e a sobrevivência das populações da Ossétia do Sul e da Abkásia. E as acções que desenvolvemos agora demonstram, sem equívoco, a nossa determinação em impedir uma situação idêntica à que o presidente georgiano criou na noite de 8 de Agosto. euronews – Que comentário faz às acusações da Geórgia sobre uma tentativa de golpe de Estado? SVL – Sim, ouvi falar no relatório e acho que constitui uma provocação, tal como são uma provocação os jogos de guerra da NATO em território georgiano, que começaram no dia 6 de Maio, sem ter em conta as advertências da Rússia. Se o objectivo é envolver outros participantes nas manobras do conflito provocado pelas declarações do presidente georgiano, fica provado que temos 100 por cento de razão. Advertimos aqueles que participam nas manobras militares para não o fazerem pois vão contribuir para o aumento de tensão. euronews – Uma última questão pessoal: Gosta de guitarra, de poesia, cantar acompanhado à viola, fazer rafting. São passatempos que ajudam na vida diplomática? SVL – Junte-lhe o futebol. Sim, ajuda-me. Porque permitem-me fazer uma pausa. Mas vou ser franco, tenho pouco tempo para o fazer. A única consolação é que o meu trabalho é muito interessante. Faço todos os esforços e espero que os meus parceiros, com quem resolvi diferentes problemas, compreendam também que, juntos, fazemos um trabalho muito importante.