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Escândalo de abusos sexuais nas instituições católicas irlandesas

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Escândalo de abusos sexuais nas instituições católicas irlandesas

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Os abusos sexuais e a violência fisica foram práticas sistemáticas durante mais de meio-século nas instituições de menores geridas pela igreja católica na Irlanda.

Esta é a principal conclusão do relatório de uma comissão de inquérito do governo que, durante uma década investigou o escândalo, silenciado pelas autoridades religiosas e ignorado por juízes e executivo. Para o responsável da comissão, Sean Ryan, “este é o fim de uma longa viagem, que não é tão longa quanto a busca por justiça e reconhecimento por parte das vítimas de abusos”. Baseado nos testemunhos de mais de um milhar de vítimas, o documento detalha os abusos praticados em reformatórios, orfanatos e centros de acolhimento de deficientes em todo o país. Revelações que desiludem as associações de vítimas, para as quais, “os tribunais que não deram seguimento às denúncias das vítimas não foram investigados. O texto é enviesado, incompleto e tenta antes de mais branquear a situação”. As práticas violentas remontam aos anos cinquenta e, apesar de diversas denúncias, só foram reveladas pela primeira vez nos anos 90, num documentário da televisão pública irlandesa. O relatório de mais de 2 mil páginas, precisa a forma como as hierarquias religiosas estavam ao corrente dos abusos, assim como a negligência dos inspectores do ministério da Educação irlandês. Em causa estão as maiores instituições religiosas do país. O governo tinha já pago mais de mil milhões de euros de indemnizações a 12 mil das mais de 14 mil vítimas. As associações de vítimas exigem agora que o Vaticano abra uma investigação aos factos para apurar e punir os responsáveis. A polémica abate-se sobre a igreja católica irlandesa, uma semana antes da divulgação de um outro relatório sobre abusos sexuais praticados por padres na região de Dublin.