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Esta é uma consulta a que não se pode faltar. Cada dois anos, as holandesas com idades entre os 50 e 57 anos são convocadas para um teste de despistagem do cancro da mama. As mamografias regulares continuam a ser a melhor arma contra o mais mortal dos cancros entre as mulheres.

Na Holanda, a mamografia digital substituiu a mamografia analógica. Para as pacientes, o exame é o mesmo. Comprimidos entre duas placas, os seios são radio fotografados com a ajuda de raios- X. D. Janssen Hopmans: “Para mim foi igual, não senti nada diferente. Foi um pouco doloroso, mas sabemos que é assim. E dura pouco tempo… não faz mal”. Com a mamografia digital, uma imagem electrónica do seio é reproduzida no computador. Pode ser optimizada ao mudar, por exemplo, os contrastes. As imagens ficam logo prontas para arquivar ou transferir. A Holanda lança assim a digitalização completa do programa de despistagem. “Estamos a expandir o nosso sistema digital, sem papel. Matéria-prima e imagens digitais. Assim, armazenamos a informação numa central e usamos os mesmos padrões em todo o país, explica Ard den Heeten, director do LRGB, centro de pesquisa para o cancro da mama. A digitalização é um meio de melhorar a organização da campanha de despistagem que conta com a participação de 80% das holandesas. A longo prazo, o objectivo é chegar a uma despistagem mais inteligente e eficaz, de forma a reduzir cada vez mais a taxa de mortalidade causada por este cancro. “Há uma melhoria significativa na detecção do cancro da mama, se compararmos com o sistema analógico. Não só numa fase precoce de carcinoma, também chamado de DCIS, como nos pequenos tumores invasivos”, clarifica Ard den Heeten Cada ano, são diagnosticados mais de 330 mil novos casos de cancro da mama na União Europeia. As causas desconhecem-se. Mas o certo é que quanto mais cedo for detectado, melhor pode ser tratado. E hoje em dia, o desenvolvimento do digital oferece uma nova perspectiva. Em Bremen, na Alemanha, o instituto Fraunhofer Mevis é especialista na informática para a criação de imagens para fins médicos. Está no centro de um projecto europeu, o HAMAM, que tem como objectivo fornecer meios aos radiologistas, para que estes possam tratar de forma mais eficiente uma grande quantidade de informação. Horst Hahn, ice-director do Instituto Fraunhofer Mevis explica: “A tarefa dos radiologistas é extrair a informação relevante de um grande número de dados, no menor período de tempo possível, da forma mais correcta. O computador pode produzir novas imagens a partir de muitas imagens para ver a informação relevante ou pode analisar e quantificar as imagens para ajudar o radiologista a ter acesso à informação”. As imagens não são só recolhidas através de mamografias. Há outras técnicas: a ecografia que utiliza ultra-sons ou a ressonância magnética, que utiliza as ondas electromagnéticas. Horst Hahn e a sua equipa trabalham para facilitar a análise dos diversos dados: “Tentamos juntar toda a informação num só local de trabalho, para melhorar a eficiência e de forma a combinarmos todos os dados. Por exemplo, se uma mulher fez uma mamografia e uma ressonância magnética, esta estação de trabalho vai trabalhar para um diagnóstico conjunto com base nestas duas técnicas”, diz o vice-director do centro alemão. De volta à Holanda, estamos no centro médico universitário de St. Radboud. Aqui utiliza-se algum do software que vimos em Bremen. É o caso no diagnóstico por ressonância magnética. Esta manhã, foi organizado um programa especial de despistagem, que tem como alvo as mulheres com risco elevado de desenvolverem tumores devido a pré-disposições genéticas. Esta paciente de 59 anos realiza todos os anos uma ressonância magnética, um método dispendioso, mas que permite uma despistagem precisa. O radiologista Roel Mus, do Centro Médico de Radboud: “Ela tem 60 a 80% de probabilidades de ter um carcinoma na mama. Com a RM, vemos mais 20 % do tumor do que com a mamografia e o ultra-som juntos”. O risco das ressonâncias magnéticas é criar falsos alertas, ao detectar anomalias que não são tumores. Cada utensílio de diagnóstico apresenta assim vantagens e inconvenientes. Daí a importância dos radiologistas, que definem o diagnóstico, ao analisar as anomalias através de diversas técnicas. “Uma só técnica não é suficiente. A ressonância magnética é muito mais sensível que a mamografia, mas depois há outro problema. O cancro revela-se, por vezes, através de microcalsificações, calsificações estas que podemos ver nas fotografias, mas que não vemos na RM. Quando temos uma paciente com tumores espalhados, com 3 ou 4 tumores, tenho de enviar as coisas em separado. Por isso, gostava de ter tudo concentrado numa estação de trabalho, onde poderia fazer o ultra-som aqui, a mamografia aqui, isso seria muito bom”, declara Roel Mus. Investigador na área da radiologia, Nico Karssemeijer trabalha ao lado dos médicos do hospital. Ele testa os softwares de diagnóstico assistidos por computador, bem como novos utensílios como o scanner de ultra-sons, a mais recente tecnologia para a despistagem do cancro da mama. “Como podem ver, este é um transdutor muito amplo. É pressionado contra o peito, o scanner move-se nesta direcção e faz um ultra-som tridimensional da mama. É muito mais eficiente e rápido que os outros ultra-sons. A grande vantagem deste sistema é que é muito mais barato que uma ressonância magnética. Se compararmos com a mamografia, este sistema é inofensivo, porque é feito através de ondas de som e não há o risco de afectar o paciente com radiações”, adianta Nico Karssemeijer. “Actualmente podemos detectar cancros mais cedo através das imagens, mas pode ser que no futuro possamos detectá-los através de um teste ao sangue ou de outros métodos simples. Com isso, será possível também uma melhor cura para o cancro da mama”, espera Nico Karssemeijer. Até chegarmos a este ponto, investigadores e radiologistas continuam a fazer progressos através dos métodos digitais para lutar contra a doença. Uma esperança para o futuro de milhares de mulheres por todo o mundo.

http://www.hamam-project.org

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