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Acordo histórico entre Itália e Líbia

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Acordo histórico entre Itália e Líbia

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O coronel Khadaffi levou consigo a fotografia do maior herói nacional da Líbia para que se siga em frente nas relações bilaterais com Itália sem esquecer o passado. Omar al Mokhtar é símbolo da resistência líbia contra o ocupante italiano.

Uma resistência armada, de guerrilha, que vai liderar desde as primeiras horas da ocupação italiana em 1911, até à sua detenção em 1931. Três dias depois foi julgado, numa audiência de 1:15 h e condenado à morte. Até ao fim da ocupação, em 1942, os italianos mataram mais de 100 mil líbios. Mohamar Khadaffi não só aceitou as desculpas oficiais da antiga potência colonialista como conseguiu fazer um acordo histórico em termos económicos e políticos. A Itália vai investir cinco mil milhões de euros nos próximos 25 anos em infraestruturas, – nomeadamente no sector da habitação e em autoestradas na Líbia. A Líbia garante à Itália um acesso privilegiado aos recursos naturais do país, que já fornece 25 por cento do petróleo e 33 por cento do gás consumidos em Itália. Também se compromete a ajudar a Itália a conter a imigração clandestina. Em 2008, cerca de 37 mil clandestinos desembarcaram em Itália vindos de toda a África, mas utilizando a Líbia como ponto de partida. Um número que subiu 75 por cento em relação ao ano anterior. Até agora, o argumento da Líbia para deixar passar clandestinos era a falta de meios…mas a Itália ofereceu quatro navios de patrulha na semana passada para que a Líbia aceite patrulhas mistas nas águas territoriais. O único problema é que a Líbia não é signatária do acordo de Genebra. Para assegurar os direitos dos refugiados, António Guterres, Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, e um representante da Suécia (que detém a presidencia da União Europeia a partir de Julho) estão a preparar uma visita à Líbia com vista à construção de uma base no país. O acordo não fica por aqui. É que os petrodólares líbios estão em jogo, nomeadamente através do acesso da ex-potência colonial às riquezas naturais líbias. A Itália é o primeiro cliente e primeiro fornecedor da Líbia, apesar dos rancores do passado. O pacto entre os pragmáticos Berlusconi e Khadaffi é um bom negócio para ambas as partes, criticado por alguns líbios que ainda vêem as relações como neocolonialistas.