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O México recorda as "crianças da Guerra Civil de Espanha"

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O México recorda as "crianças da Guerra Civil de Espanha"

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As crianças obrigadas ao exílio durante a Guerra Civil espanhola foram, este sábado, homenageadas pelo governo mexicano. Hoje, quase todos octogenários, recordam o dia em que o seu navio, francês – chamado Sinaia -, atracou no porto mexicano de Vera Cruz.

Isabel Rocique Molina era uma delas. Deixou-se emocionar com a cerimónia que o governo mexicano preparou este sábado para recordar a chegada do Sinaia há 70 anos.Uma surpresa que não esperava. Apenas 53 dos quase 1700 passageiros do navio podem, de viva voz, testemunhar a viagem. E em jeito de homenagem, foram declarados hóspedes distitos do Estado mexicano. Oscar Manzanares é desses rostos vivos da fuga para o México. Reconhece ter raízes espanholas, mas mais profundas são as marcas mexicanas. Diz que as duas metades coabitam, embora não pense regressar a Espanha. Foi há 70 anos que os exilados espanhóis, refugiados primeiro em França, chegaram à costa mexicana recebidos por um executivo – dos poucos na época – a reconhecer o governo republicano espanhol. A viagem demorou 22 dias. Recorde-se que entre os anos 1936 e 1939 a Espanha mergulhou numa guerra civil que fez dezenas de milhar de refugiados e dividiu o país nas partes monárquica e republicana. Dos milhares de refugiados, apenas uma parte cruzou o Atlântico, enquanto umas três mil crianças foram enviadas à então União Soviética. Hoje em dia são menos de 300 os sobreviventes desses exílios forçados.