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O poder do Guia Supremo do Irão

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O poder do Guia Supremo do Irão

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O Ayatollah Khamenei é a figura mais importante da República Islâmica do Irão. Como Guia Supremo tem a última palavra sobre todos os assuntos políticos do país, muito acima do presidente. Apesar deste parecer ter força igual ou superior à dos religiosos… é aparência.

Khamenei ontrola todos os molas do poder: escolhe directa e indiretamente aos membros do Conselho de Guardiães, que se encarrega das eleições: seleciona os candidatos e supervisiona o escrutínio dos votos. Em 20 anos de poder supremo, Khamenei reforçou a tendência conservadora do Conselho dos Guardiães, em detrimento dos elementos reformistas. Khamenei também blindou a posição de Guia Supremo, importando com ele os poderes e contactos que teceu quando foi presidente com o fundador da República Islâmica, o Ayatollah Khomeini. No dia 1 de Fevereiro de 79, Khomeini desembarcou no Irão depois de um exílio de 14 anos. Este fundamentalista islâmico tinha-se transformado em carismático líder do movimento de oposição ao regime do Xá Reza Palevi. 2:06 emeutes contre lhe Shah Com a Revolução branca, um programa de reforma agrária e modernização do país, o Xá passou a ser o inimigo n°1 do clero xiita, que capitalizou o descontentamento popular. Khomeini inaugurou um novo regime, uma teocracia na qual o poder absoluto recai nos religiosos. A República Islâmica foi proclamada em Abril de 79, depois de um referendo. Entre 1981 e 89, durante a guerra contra o Iraque, o Ayatolah Ali Khamenei, como presidente, manteve uma difícil coabitação com o primeiro-ministro, Mir Hussein Mussavi – homem do regime desde o início da revolução, mas reformista com carisma. Enfrentavam-se a nível social, económico e religioso, mas Mussavi tinha o apoio de Khomeini. Quando o Guia Supremo morreu, Khamenei sucedeu-lhe e modificou imediatamente a Constituição para suprimir o posto de primeiro-ministro. As fricções entre conservadores e reformistas são uma constante na história do Irão, mas Khamenei sempre apoiou os conservadores. Só em 2002 abriu uma excepção: quando a mobilização dos estudantes forçou o Guia Supremo a comutar a pena de morte ao intelectual reformista Hachem Aghajari. O crime do intelectualfoi defender que os muçulmanos não deviam seguir cegamente nenhum líder religioso.