Última hora

Última hora

Asif Ali Zardari: "Os talibãs são um cancro que é preciso eliminar"

Em leitura:

Asif Ali Zardari: "Os talibãs são um cancro que é preciso eliminar"

Tamanho do texto Aa Aa

Asif Ali Zardari, presidente do Paquistão, foi eleito depois do assassinato da mulher, Benazir Bhutto, e sucedeu ao muito contestado Musharraf. Tem muitas tarefas difíceis pela frente, como lutar contra os talibãs na província fronteiriça do Noroeste e no vale de Swat. A questão nuclear preocupa também o Ocidente.

Sergio Cantone, euronews: Azif Ali Zardari, sr. Presidente, bem-vindo. Há muitas preocupações no Ocidente em relação à energia nuclear no Paquistão. É segura, esta energia? Asif Ali Zardari, presidente do Paquistão: Não penso que haja uma preocupação no Ocidente, mas é uma questão importante. Muitos jornalistas, como você, trazem essa questão a lume. Todas as pessoas que precisam de saber, sabem que os activos nucleares do Paquistão são seguros e estão em mãos seguras. euronews: Então, os líderes políticos na Europa e nos Estados Unidos não estão preocupados… Asif Ali Zardari: Não, os grupos de reflexão estão preocupados e, para os jornalistas, as boas notícias são as más notícias… por isso, chamam a atenção para este assunto. euronews: Tem medo de um possível golpe dos talibãs contra o seu poder? Asif Ali Zardari: Se a situação continuar sem que se preste atenção, se olharmos para o outro lado em vez de enfrentarmos este cancro que é a talibanização, ele vai espalhar-se, não só pelo Paquistão, mas por todo o mundo. É uma ameaça genuína e temos de estar atentos. euronews: Partilha as preocupações da União Europeia sobre as madrassas nas zonas tribais, que ajudam a espalhar a ideologia talibã? Asif Ali Zardari: Sim, falei dessa situação com a União Europeia, pedi ajuda porque, na última contagem, havia 20.000 madrassas. A meu ver, este é um fenómeno recente, que não existia antes das intervenções militares do Ocidente. Foi nessa altura que o recrutamento nas madrassas ficou fora de controlo. Precisamos que o mundo nos ajude a lutar contra este fenómeno. euronews: De que tipo de apoio precisa? Asif Ali Zardari: Preciso de apoio financeiro para poder oferecer, nas escolas públicas, o mesmo tipo de serviços que as madrassas oferecem. Eles pagam aos pais para ter os filhos nas madrassas. E eu preciso de poder fazer o mesmo. euronews: O que pensa da estratégia da NATO no Sul da Ásia, em particular no Afeganistão e no Paquistão? Asif Ali Zardari: Eles precisam de ser mais responsáveis e perceber que não estão na Coreia nem no Vietname. Esta guerra tem que ser lutada no local, senão os terroristas vão com eles para casa. euronews: Ainda considera a Índia uma ameaça militar? Asif Ali Zardari: Não é que a considere como uma ameaça, mas tem o poderio. O que interessa é o poderio. Quanto às intenções, penso que temos ambos boas intenções. A Índia é uma realidade, o Paquistão é outra, os Talibãs são uma ameaça. Os Talibãs são uma ameaça internacional ao mundo e ao noss modo de vida. Por enquanto, estou focalizado nos Talibãs. É algo que dura há muito tempo e que passou em branco sob o regime ditatorial do último presidente. euronews: Os indianos estão muito preocupados com organizações terroristas sediadas no Paquistão. Uma dessas organizações foi responsável plos ataques em Bombaím no Outono. Essa preocupação é real? Asif Ali Zardari: Qualquer estado deve estar preocupado e eu não vou cobrar-lhes isso. Houve um ataque, isso não se pode apagar, por isso com certeza que há uma preocupação, mas trata-se de actores não estatais, que têm, no entanto, um poderio de guerra. euronews: Organizações como a Lashkar e a Tayyba foram acolhidas no Paquistão, durante muito tempo este relacionamento não ajudou a dar mais força aos talibãs? Afinal de contas, partilham a mesma ideologia… Asif Ali Zardari: Qualquer força extremista no mundo, seja cristã, muçulmana ou de outra religião, é nefasta. Há que prestar muita atenção a estas mentes extremistas, que são sempre uma ameaça ao mundo. euronews: Mas, neste caso, o Paquistão protegeu, durante algum tempo, estas organizações, por causa do problema de Caxemira… Asif Ali Zardari: Houve sempre acusações, de ambos os lados, no passado e não quero apontar o dedo a ninguém. euronews: Mas é verdade ou não? Asif Ali Zardari: O quê? euronews: Essas acusações… Asif Ali Zardari: Pode ter um fundo de verdade, mas é completamente mentira no que toca ao governo actual. Não temos qualquer intenção de apoiar uma organização como esta, que foi bainda no Paquistão.