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UE/Irão

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São germano-iranianos, franco-iranianos ou italo-iranianos…e desde as eleições presidenciais que manifestam o descontentamento com tanta perseverança como os cidadãos do Irão.

Na Europa, em reacção à reeleição de Ahmadinejad e às alegações de fraude e repressão do regime, levantou-se uma onda de indignação tanto nas populações como nos governos… À margem da cimeira europeia, na semana passada, vários chefes de Estado expressaram preocupação e pediram ao Irão para fazer a recontagem dos votos. Teerão respondeu com acusações de ingerência. Mais uma vez, as pressões não vieram de uma frente unida. Mas para a Comissária dos Negócios Estrangeiros, Benita Ferrero Waldner, isso acontece quando chegar o momento. “Tenho a certeza de que, agora, toda a gente quer dar uma oportunidade ao diálogo, mas tem de se ver se este é possível, devido à difícil situação interna. Se não há diálogo, se as negociações não dão resultado, a questão das sanções coloca-se de novo e os europeus vão ter de estudar todos os detalhes e de que modo as sanções devem ser aplicadas; tenho certeza de que vão chegar a uma posição comum”. O que é certo é que, por enquanto, tal como sucedeu com o dossiê nuclear, a Europa não tem proposto alternativas ao diálogo. O fracasso da troika europeia, em 2006, conduziu os negociadores franceses, britânicos e alemães a levar o caso ao Conselho de Segurança da ONU, contra da opinião de muitos países da UE. Porque no fundo, a questão das sanções coloca problemas sérios à União, como assinala a analista política, Shada Islã: “Não vai haver negociações sobre as sanções económicas ou comerciais contra o Irão, e isso por várias razões: o Irão é uma zona de negócios muito lucrativa para a União Europeia, seja a França, a Alemanha ou a Itália: vende mercadorias no valor de milhares de milhões de euros ao Irão, não pretende reduzir o volume de negócios,principalmente agora, em tempo de crise económica. Por outro lado o Irão é um importante fornecedor de petróleo e o Velho Continente está a tentar diversificar a segurança energética, com a Rússia a colocar problemas,; por isso não acho que optem por piorar as relações com o Irão.”

A União Europeia é o primeiro parceiro comercial do Irão, depois da Rússia. Exporta milhares de milhões de euros de produtos manofacturados e Teerão é o sexto fornecedor de energia aos países europeus. Nestas condições, as críticas podem ouvir-se a viva voz, mas qualquer acção será muito bem medida.