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Líder do Partido da Liberdade na Holanda defende saída da Bulgária e da Roménia da UE

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Líder do Partido da Liberdade na Holanda defende saída da Bulgária e da Roménia da UE

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Geert Wilders é líder do Partido da Liberdade na Holanda, anti-muçulmano e anti-europeísta. O Partido da Liberdade foi o grande vencedor das eleições europeias na Holanda. Conseguiu eleger quatro euro deputados.

A euronews realizou a entrevista numa espécie de bunker no edifício do parlamento holandês em Haia, por razões de segurança. Wilders está com protecção policial reforçada depois da difusão, no início do ano, da polémica curta metragem Fitna” em que defende o carácter “fascista” do Corão. euronews – Geert Wilders… preocupa-o o futuro da Europa? G.W. – Certamente que me preocupa o futuro da Europa. Acho que a Europa é um continente fantástico, com países muito importantes mas por desgraça com uma grande afluência de imigrantes e uma forte islamização das sociedades. Receio que o venhamos a pagar com a nossa liberdade. Por isso, sim, preocupa-me muito o futuro da Europa. euronews – Porque acha que o Islão é uma ameaça para Europa? O que o assusta? G.W. – Deixe-me dizer-lhe, antes do mais, que faço a distinção entre a ideologia, a religião, a sociedade, e a gente. Eu não tenho nada contra os muçulmanos, contra as pessoas, tenho um problema é com a ideologia islâmica. Acho que é uma ideologia totalitária que não deve ser comparada com as outras religiões, mas sim com outras ideologias totalitárias como o comunismo ou o fascismo. Não há lugar para mais nada do que ideologia islâmica, só para o Islão. Isto é o que penso que devemos recear. euronews – Não acha que dizer que o Islão é uma ideologia totalitária é perigoso do ponto de vista intelectual? Por exemplo, estamos assistir no Irão à luta por mais democracia e são muçulmanos… G.W. – Volto a dizer que não estou contra as pessoas e sei que existem moderados que se chamam a eles próprios muçulmanos. Existem muçulmanos moderados e devemos investir nos muçulmanos moderados. Mas não acredito em Islão moderado. Não penso que, como na Cristandade, haja diferença entre o velho e o novo testamento, a separação da Igreja e do Estado, não acho que isso vá ocorrer no Islão. Por isso não considero que devamos investir num Islão moderado ou europeu. Devemo investir nas pessoas, na democracia. euronews – Como pode o senhor fazer uma distinção entre o Islão considerado como um todo que qualifica de ideologia totalitária e os indivíduos que como indivíduos, como muçulmanos, podem ser moderados? 4.17 G.W. Admito que a maioria dos muçulmanos que vive nos países ocidentais não é extremista, não são terroristas. São gente normal como eu e você. Não há nada a dizer. E mesmo se hoje a maioria deles não é extremista ou terrorista, se continuarmos a aceitar a imigração em massa, então no futuro, a cultura islâmica, a identidade islâmica vai ganhar terreno nas nossas sociedades. As sociedades vão mudar. Vai acontecer o que já constatamos no Reino Unido: 85 tribunais islâmicos em actividade e que dizem que as mulheres têm duas vezes menos valor do que os homens, que os homossexuais devem ser mortos… A charia faz parte da ideologia islâmica. E acho que este género de leis anti-democráticas, está a surgir na Europa. euronews – O senhor disse uma vez que todos os muçulmanos que queiram implantar a sharia na Europa devem sair da Europa. Ainda defende isto? G:W – Acho que a implementação da sharia acabava com a democracia. Se acredita na lei muçulmana, acha que os apóstatas, todas as pessoas que não são muçulmanas, devem ou aceitar a sharia ou pagar por protecção ou se não, morrer. O mesmo para mulheres e homossexuais que teriam uma vida horrível se vivessem numa sociedade submetida à sharia. Creio de verdade que se vive num país e defende a aplicação da sharia no fim significa que acredita que as mulheres valem menos do que os homens, por exemplo. euronews – Desculpe, mas….A lei muçulmana não é tão clara… O Tribunal islâmico britânico não enforca homossexuais… G.W. – Não, mas tem uma lei baseada no Corão E se começamos a actuar e a pensar assim…Se permitimos que uma só parte da sharia seja introduzida na nossa sociedade tenho certeza que vai ser dado o passo seguinte, depois outro e outro…Acho que devíamos dizer não à sharia na Europa e noutras sociedades porque se permitirmos um só passo, por muito inocente que pareça, outros vão ser dados sem inocência nenhuma… E as elites políticas de nossas sociedades que o permitam, por ser politicamente correcto, por serem relativistas em termos culturais e acreditarem que todas as culturas são iguais. Gordon Brown, o primeiro-ministro britânico é o maior cobarde da Europa, não me deixou nem sequer entrar no Reino Unido para mostrar o meu filme e debatê-lo na Câmara dos Lordes. Este é o tipo de líderes que há hoje na Europa e que devem ser substituidos por outros mais corajosos. euronews – Mas isto pode constituir um problema de ordem pública também para os britânicos. G.W. – Só no Reino Unido… ele não decidiu para fazer face a uma eventual ameaça. Visitei imensos países, para divulgar o meu filme, e fui sempre bem acolhido. De facto, o primeiro-ministro britânico teve medo de que eu fosse defender o oposto do que ele pensa e dissesse mal do Islão. Foi isso, medo. E houve pressões dos islamistas. E renunciou, abandonou, foi o Chamberlein da Europa de 2009. euronews – É contra a adesão da Turquia…. G:W – Claro! euronews – Muitos federalistas estão também contra a integração da Turquia, asseguram que a entrada dilui a idéia da União e a idéia de uma federação desaparece. Por isso, o senhor devia estar a favor da entrada da Turquia. G.W. – Estou contra uma Europa federal. Quero que sejamos independentes e que a Holanda só coopere no contexto económico. Também estou contra a entrada da Turquia na União. É um membro da NATO muito respeitável e um bom amigo dos holandeses mas acho que não é um membro de nossa família, ser um bom vizinho não é o mesmo que ser um membro da família e além disso é um país islâmico. Não só íamos pagar um preço muito alto, porque os custos desta adesão, o dinheiro que lhe devíamos dar ia ser muito mas também porque a imigração nas nossas sociedades ia aumentar e isso é a úiltima coisa de que necessitamos. euronews – Abria as portas à Ucrânia? G.W. – Não, acho que nenhum outro país devia entrar na União Europeia. Estou a favor inclusive que a Bulgária e a Roménia saiam da União. O meu partido votou contra da adesão da Roménia e da Bulgária no parlamento holandês. euronews – Porquê? Qual é o problema? G.W. – Primeiro, os holandeses acham que a União já é suficientemente grande e não querem mais países a entrar no clube comunitário. Eu também defendo uma Europa pequena e não uma grande Europa com mais influência. Em segundo lugar, pensamos que esses países não estavam preparados e além disso são muito corruptos.