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Kadahfi deixa por explicar destino de 90 imigrantes

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Kadahfi deixa por explicar destino de 90 imigrantes

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O Coronel Kadhafi defende o sonho de avançar para a criação de uns Estados Unidos de África com um Governo comum e único baseado no modelo da União Europeia. Por enquanto, ainda há muitos interesses divergentes entre os dirigentes e populações africanas para que seja possível “unificar” África em torno de um objectivo. Só que o Rei dos Reis africanos não é homem para desistir.

euronews – Se falássemos da cimeira da União Africana, que terminou há dias, à volta do dossiê da pobreza em África? Vem a Itália para participar na cimeira do G8,é a primeira vez que um líder africano e árabe participa em tal acontecimento… que mensagem gostava de transmitir aos grandes do mundo? Kadhafi – Para começar, a cimeira não é a primeira, houve outras e tentámos marcar a presença de África. Várias declarações e recomendações relativas ao continente africano foram tratadas em precendentes cimeiras do G8, mas foram, infelizmente, simples declarações. Pessoalmente, não espero nada diferente. Espero, na verdade, mas não acredito. euronews – Se me permite, a propósito de Itália: esteve lá recentemente e teve direito a um acolhimento solene pelas autoridades italianas, com Berlusconi à frente. Podemos dizer que a página foi folheada e reve início uma nova era de abertura entre a Líbia e Itália. Kadhafi – Sim, estou certo e é do interesse da Itália, da Líbia e da bacia mediterrânica, da Europa, da África, da paz mundial e da cooperação entre os Estados virar a página do passado doloroso para abrir uma nova era de cooperação, amizade, para poder apresentar desculpas às pessoas e indemnizar quem sofreu na pele a descolonização. E foi o que se passou, decidiram-se as desculpas e as indemnizações, que aceitámos. Não podia ter sido melhor. euronews – Pudémos constatar durante a visita a Itália que levava a foto de Omar al Mokhtar ao peito. A iniciativa foi feita como provocação. O que quis o Coronel dizer com a iniciativa? Kadhafi – Cada um pode interpretar como quiser. Em Roma, os jornalistas colocaram-me a questão e respondi-lhes porque, também eles, ostentavam uma cruz? Até respondi no lugar deles: disse-lhes, trazem a cruz e os cristãos, em geral, acreditam que Cristo morreu de um modo atroz, crucificado por ser o profeta do amor, da paz e da misericórdia, não merecia esta morte no crucifixo. Por isso, como cristãos, comemoram o acontecimento e imortalizam a cruz. Disse ao jornalista que me colocou a questão: nós também pensamos que Omar al Mokhtar foi morto de um modo atroz, executado por enforcamento, nem mesmo fusilado e ele combatia pela liberdade, pela dignidade do país, pela independência face à bárbara invasão estrangeira. Por isso ele merece que usemos a foto do mesmo modo que vocês usam a cruz. euronews – Há um problema que inquieta a Europa de um modo geral, e não apenas Itália, que é a imigração clandestina. Há um acordosegundo o qual os imigrantes clandestinos devem ser repatriados para a Líbia. E ontem, a Líbia recebeu 90 imigrantes que tinham chegado ao largo de Itália. Que vai fazer desses imigrantes, vão ter direito de asilo ou que se vai passar, exactamente, com eles? Kadhafi – Não é, absolutamente, uma questão de asilo. O asilo abrange um número limitado de pessoas por razões políticas ou seguir a uma guerra ou a catástrofes naturais. Mas estamos a enfrentar vagas de imigração sucessivas em direcção à Europa por causa da pobreza que reina em África- Os africanos pensam que as suas riquezas foram pilhadas e por isso correm atrás das riquezas. Quando trabalham na Europa, pensam ter o direito porque é a Europa que goza as riquezas de África. euronews – Coronel Kadhafi, quando me passeava pelas ruas de Tripoli, pude ler um slogan em destaque que dizia: “aqui onde passeia, reina a felicidade”. Pensa, verdadeiramente, que, 40 anos depois da revolução, o povo líbio é feliz? Kadhafi – Em primeiro lugar, não vi esses slogans e não sou responsável. Ao contrário de vocês, não posso andar livremente na rua para poder ler esses slogans. E mesmo se passar na rua, é no meio de uma comitiva, e não tomarei conhecimento do slogan. Mas se é assim, as pessoas que o fizeram estão animadas pela boa vontade. Pensam bem do poder e eu alegro-me com isso. Faço o melhor para que o meu povo seja feliz e livre. euronews – Coronel Kadhafi, uma última pergunta: actualmente, intitula-se Rei dos reis de África, e o decano dos líderes árabes. Escreveu o “Livro Verde” que tarta da questão da democracia, da sociedade e da economia. Esteve na origem de importantes projectos… que lhe resta fazer, Coronel Kadhafi, tem outras aspirações? Kadhafi – Na verdade, tenho esperança que a Unidade Árabe possa ver a luz do dia, de um modo ou de outro, pois os árabes conheceram a divisão num mundo de alianças e de grandes entidades. Estão reduzidos a bocados de papel, tal como uma pluma levada pelo vento. Talvez os árabes já estejam prontos para fazer a Unidade Árabe. Digo mais: espero ver nascer uma união árabo-africana.