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Xinjiang: ponto de encontro entre a China e o mundo muçulmano

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Xinjiang: ponto de encontro entre a China e o mundo muçulmano

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O povo uigur faz parte de um grupo de 55 minorias nacionais chinesas. Têm laços com a Ásia central e a língua que falam é originária do túrcico, expressa de modo escrito através do alfabeto árabe.

Com uma superfície de 1.600 quilómetros quadrados equivalentes a um sexto do continente chinês, Xinjiang é a maior das províncias da China mas é muito pouco populosa. Dos 20 milhões de habitantes 45% pertencem à etnia uigur e 41% à comunidade chinesa Han. Durante muito tempo a região viveu da agricultura, isolada do resto da China. Mas a descoberta de vastas reserva minerais e petrolíferas mudou a estratégia de Pequim que rapidamente investiu na industrialização da província. Em 1990 o Governo chinês apostou nas infra-estruturas da província atribuindo-lhe zonas económicas especiais e construindo ligações rodoferroviárias. Um investimento que foi acompanhado por uma onda de imigração maioritariamente oriunda da etnia Han. Um movimento que não agradou aos uigures e veio subir as tensões interétnicas. Tensões essas que atingiram um ponto extremo a poucos dias dos últimos jogos olímpicos quando um atentado que matou 16 polícias chineses em Xinjiang voltou a chamar a atenção para a causa uigure. Uma acção que Pequim não hesitou em classificar como um foco de terrorismo na região mas que os observadores independentes rejeitaram prontamente. “O Governo tem que dar um passo atrás e parar de associar legítimas liberdades de expressão, legítimas expressões religiosas e culturais, tanto no Tibete como em Xinjiang, com o terrorismo”, afirmou Phelim Kine, da Human Rights Watch. Quase um ano depois, os distúrbios de Urumqi voltam a virar atenções para uma região que há séculos tem sido o ponto de encontro entre a China e o mundo árabe.