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Jerzy Buzek, candidato à presidência do Parlamento Europeu

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Jerzy Buzek, candidato à presidência do Parlamento Europeu

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“Temos de prestar atenção às questões que são próximas dos cidadãos porque as pessoas preocupam-se com o pão de cada dia. Coisas que as afectam no quotidiano.”

Bem-vindos à entrevista especial com Jerzy Buzek, candidato à presidência do Parlamento Europeu. Um programa em cooperação entre a Europarl Tv, a televisão online do PE e a Euronews. Euronews: Jerzy Buzek, o senhor foi primeiro-ministro da Polónia e foi quem iniciou as negociações para a entrada do seu país na União Europeia. Agora é o candidato do Partido do Povo Europeu (PPE), o grupo de centro-direita, à presidência do Parlamento Europeu. Quais os desafios e tarefas mais importantes que terá de enfrentar quando se tornar presidente do PE? Jerzy Buzek: Muito obrigado. É uma altura muito especial, para mim e para os países que há apenas 20 anos tinham um regime completamente diferente, o comunismo. Ainda está fresco na memória. Os países da Europa Central e de Leste olham para o Parlamento Europeu e a sua presença nesse orgão é algo que aproxima a instituição às pessoas. E esta é a mensagem que deve ecoar por todo o Parlamento Europeu, porque os cidadãos têm dificuldade em exprimir uma opinião sobre o que se passa na Europa. É por isso que vemos uma taxa participação muito baixa nas eleições, que diminui de 5 em 5 anos. Euronews:Tem alguma ideia de como se pode tornar o Parlamento Europeu mais atractivo, especialmente depois da elevada abstenção resgistada nas últimas eleições europeias? Jerzy Buzek: Sim, acho que temos de prestar atenção às questões que são próximas dos cidadãos porque as pessoas preocupam-se com o pão de cada dia. Coisas que as afectam no quotidiano. E palavras complicadas, que usamos quando falamos da crise ou da crise energética, não captam a atenção das pessoas. Se queremos falar da segurança energética e explicamos o que isto quer dizer, significa explicar que no seu apartamento, vai ter gás para cozinhar e electricidade, por exemplo. Isto é o que temos que fazer. Podemos criar novas tecnologias, construir infra-estruturas que asseguram a chegada de gás e electricidade às nossas casas. Temos de traduzir, porque os condutores, os motoristas, precisam de energia, precisam de combustível. Acho que muitas vezes nos perdemos na estratosfera e temos de levar o debate para terreno sólido. Europarl Tv: O que vemos nesta corrida à presidência para o PE é basicamente aquilo que as pessoas acham pouco atractivo na Europa. As decisões e coligações feitas à porta fechada, quando deviam ser feitas pelo conjunto do Parlamento. Quase não existe debate, sabemos que vai ser o próximo presidente e quase que não houve luta política no processo… E eu penso, é isto que as pessoas querem ver? Jerzy Buzek: Nos parlamentos dos Estados-membros acontece a mesma coisa. Se é feita uma aliança, e há muitos parlamentos que fazem isto depois de uma eleição, há-que negociar uma forma de governo. Não é óbvio. É preciso falar, e acho que nos habituamos a isso. Mas não se pense que as coisas vão ser diferentes aqui. Temos os resultados, mas depois nada é automático. Temos de encontrar amigos e aliados, pessoas que pensem como nós. E não é sermos apenas espectadores e tomar conhecimento pela televisão do que vai acontecer a seguir. Não! Tem de haver debate sobre que tipo de coligação queremos, o que podemos fazer para fortalecer a comunidade… Se conseguirmos trabalhar de forma rápida e eficaz, os eleitores europeus percebem que o Parlamento Europeu é forte e responsável. E querem ainda saber o que vão ganhar com uma coligação. Euronews: Não acha que, para ser mais atractivo, o Parlamento deveria promover mais o confronto de ideias? Jerzy Buzek: Sim, claro, tem razão. E creio que isso confirma o que eu estava a dizer antes, porque no grupo do PPE temos esses confrontos. Nos parlamentos nacionais, isso acontece naquelas grandes coligações da esquerda e da direita. Quando se trata de questões como “precisamos de uma reforma maior?”, conseguem-se coligações mais abrangentes nos Estados-membros. Este é o desafio que temos pela frente. Porque temos de sair da crise, ultrapassá-la, temos de resolver a crise climática e energética, a emigração pode ser um problema, enfrentamos problemas demográficos… Vamos ter essa grande conferência em Copenhaga sobre o clima, o que é uma prioridade para nós. E é nestas áreas que temos de dar tudo por tudo. Euronews: Qual é o verdadeiro papel do Parlamento? Falou de uma grande leque de políticas, mas qual é o verdadeiro papel do PE? Jerzy Buzek: O papel do parlamento é claro, está descrito no Tratado de Nice. E mesmo antes, é bom que se saiba que temos decisões partilhadas. Temos a Comissão, que tem uma relação especial com o Parlamento Europeu. Temos poderes para além dos orçamentos, por exemplo. Se o Tratado de Lisboa entrar em vigor, vamos viver uma nova situação e um Parlamento Europeu muito mais forte. Decisões partilhadas, elaboração de leis compartilhadas, bem como nas grandes questões. E o Parlamento Europeu terá o direito de iniciativa legislativa, o que é uma mudança considerável. Acredito que assim o Parlamento tem as condições necessárias para resolver certas questões na União.