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Presidente dos Verdes no PE justifica luta contra Durão Barroso

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Presidente dos Verdes no PE justifica luta contra Durão Barroso

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O alemão Daniel Cohn Bendit – porta-voz da revolta dos estudantes em 1968 em França- é agora presidente do grupo dos Verdes no Parlamento Europeu. Obteve melhores os resultados da história para os Verdes em França: 14 eurodeputados, em pé de igualdade com os socialistas. Daniel Cohn Bendit vai solicitar a nacionalidade francesa porque o filho, de 19 anos, quer ser francês. Mas também está comprometido com os verdes na Alemanha, e, sobretudo, na Europa, onde luta contra o segundo mandato de Durão Barroso como presidente da Comissão Europeia.

euronews – Como explica o sucesso nas eleições europeias? Trata-se de um sucesso pessoal, também, como garante o seu irmão? Daniel Cohn Bendit – Não, não, isso é muito simples. Tínhamos três ideias: reunir toda a família ecológica política, conseguir essa união, que é algo muito raro em França, em vez de se dividir. Em segundo lugar, tínhamos um projecto para Europa, e um projecto para a transformação ecológica da Europa. São estas três ideias que permitiram avançar nesta campanha. Porque fizemos uma campanha europeia e tínhamos também as personalidades. euronews – Existe uma repentina consciência ecológica em França? CB – Não, sempre houve uma consciência ecológica em França. Mas digamos que o comportamento dos ecologistas fazia com que houvesse uma perda de credibilidade na ecologia política. Nós devolvemos essa credibilidade. euronews – E agora, são os socialistas que estão com baixa de credibilidade? CB – Há uma crise dos socialistas, mas não só em França. A social democracia europeia está doente. Olhe a Alemanha, olhe a França, olhe a Itália, a Inglaterra. Inclusive Zapatero atravessa um mau momento. Acho que é uma crise do projecto socialista, da social democracia europeia. E essa crise acentua-se pela falta de personalidades em muitos desses países. euronews – Uma falta de personalidades? CB – Sim, dos socialistas. euronews – Mas o senhor Zapatero… CB – Mas o senhor Zapatero sofre um grande desgaste. Triunfou em determinado momento, mas hoje, ele próprio é um vítima do modo de fazer política dos socialistas que é, apesar de tudo, muito autoritário, apercebemo-nos de que o senhor Zapatero é muito autoritário. Quando vemos como trata os de deputados, é quando se torna mesmo incompreensível. É ele que faz as listas para as Europeias e coloca todo os nomes, foi Zapatero que decidiu apoiar Durão Barroso, e todos os deputados socialistas devem fazer o que diz o senhor Zapatero. euronews – Se luta contra Durão Barroso, o que é que lhe recrimina? CB – O Durão Barroso foi incapaz de dirigir uma Comissão independente, esse é o problema. Sabe, a Europa é um triângulo institucional: uma Comissão, o Conselho e o Parlamento. Se o presidente da Comissão é simplesmente o secretário-Geral do Conselho isto é, dos Governos a democracia europeia não pode funcionar. Isto é o que mais reprovo em relação a Barroso. Quando faz falta uma postura precisamente, o direito de iniciativa da Comissão não é pedir permissão ao Conselho, trata-se de provocar o Conselho com iniciativas, para desencadear um debate e permitir, precisamente, que surja uma política europeia. E Barroso não o tem feito. euronews – E quem pode ser o melhor candidato? CB – Há muitos, há muitos. Não há UM melhor candidato, pode começar pela esquerda, pode partir de Joschka Fischer, passando pelo social democrata dinamarquês Rasmussen, passando por Monti, Verhofstadt, e ainda há Mary Robinson e Chris Patten. Há imensas possibilidades de personalidades capazes de dirigir uma comissão independente. Sei que tem de ser uma maioria de centro direita, mas pelo menos com personalidades capazes precisamente de estar ao mesmo nível do que os chefes de Governo. euronews – Seu preferido sé Joschka Fischer? CB – Meu preferido…acho que Joschka Fischer é um muito bom presidente da comissão. Mas sei que não tem a maioria… Quero dizer, que hoje fazem-nos crer que só existe um homem na Europa capaz de ser presidente da Comissão, e que ele é e Durão Barroso, o que é absurdo. euronews – E ao Senhor não o tenta? CB – A mim, pessoalmente, não, não é o meu género. 5,27 euronews – Se Angela Merkel ganhar as eleições legislativas em Setembro, o senhor acha possível uma coligação de cristãos-democratas e Verdes? Seria desejável? CB – Não, não vai ser o caso. Provavelmente vai haver uma coligação de cristãos-democratas e de liberais. E se esta coligação não se dá, devemos reflectir. Mas cristãos-democratas e Verdes, é, na minha opinião, uma das soluções mais improváveis. euronews – Pode explicar-nos o “Green Deal” que apresenta no livro que publicou? CB – A grande questão é a das crises: a crise financeira e económica e a crise ecológica. Vendo estas crises, necessitamos de uma transformação ecológica da nossa economia, isto é, devemos responder ao mesmo tempo à crise ecológica e à crise económica. A transformação ecológica de nossa economia, é uma resposta integrada. euronews – . O senhor considera que se pode alcançar um rápido sucesso? CB – Que quer dizer com rapidamente? Já há sucessos. Desde que a Alemanha decidiu o fim da energia nuclear, as energias renováveis subiram entre dois e 20 por cento. Isso é um grande sucesso. O desenvolvimento das energias renováveis, com toda a modernização ecológica criou 500 mil empregos em A Alemanha. Isso é um verdadeiro sucesso. euronews – Mas a nível de toda Europa, a Europa de Leste, por exemplo, está muito longe? CB. Que quer dizer isso? Longe, a Alemanha também estava muito longe em determinada época. O problema é que é necessário investir em energias renováveis na Europa de Leste. Devemos lançar um programa gigantesco, por exemplo, para construir tróleis no leste e consumir menos energia. É preciso desenvolver muitos programas. Devemos ir nessa direção em lugar de nos lamentarmos constantemente por ser difícil. Não temos tempo para esperar, temos de começar agora. euronews – Durante o último encontro que teve com o presidente francês, ficámos com a impressão, pelas imagens de televisão, de que o senhor se entende muito bem com Nicolas Sarkozy. Não tem medo de assustar também os eleitores? CB – Quando nos rimos com alguém, quando somos amáveis, diz-se que nos entendemos bem com a pessoa. É simples, dizem-se umas graças, acha-se piada às brincadeiras, podemos fazê-lo. E não assusto os eleitores, há questões nas quais temos posturas antagónicas, é o que disse claramente. Acho aborrecida esta forma crispada de fazer política. Analisando os resultados das eleições, não assustámos muito os eleitores. Pelo contrário, atraímos eleitores porque temos a nossa forma de fazer política, não esta forma crispada: “é meu inimigo”. Temos posições diferentes, eu crítico radicalmente a política de imigração e de justiça de Sarkozy. E noutras áreas, como a da ecologia, ele mexeu-se. E se mudou, podemos reconhecer que mudou.