Última hora

Última hora

Gibraltar: Espanha e Reino Unido estreitam relações

Em leitura:

Gibraltar: Espanha e Reino Unido estreitam relações

Tamanho do texto Aa Aa

A visita de Miguel Moratinos a Gibraltar relembra os 300 anos de debate sobre o futuro do território britânico mas não expõe, estrategicamente, esta delicada questão. Depois do processo negocial, que levou à reabertura da fronteira comum, Madrid e Londres não querem que nada perturbe as relações bilaterais no seio na UE e da NATO.

Mas Espanha não perde a esperança de recuperar o controlo sobre a região, como previsto pelo tratado de Utrech que atribuiu a concessão à coroa britânica. Mas Gibraltar é um calcanhar de Aquiles. Espanha e Reino Unido estabeleceram um acordo que previa a partilha de poderes mas, em 2002, em referendo os eleitores locais, mostraram-se contra. E, segundo a constituição, são os 30 mil habitantes que devem pronunciar-se sobre o estatuto do território. O chefe de governo Peter Caruana é um dos partidários do não. Caruana promove o reforço da autonomia do território, graças ao seu estatuto de paraíso fiscal e de base estratégica militar para Londres e não poupa argumentos para contrariar as ambições espanholas. Para defender o seu território não hesita em instigar as fricções entre Espanha e Marrocos, relembrando que Madrid também recusa entregar os enclaves de Ceuta e Melilla a Rabat. Caruana recusou também, durante meses, qualquer responsabilidade na maré negra provocada pela destruição do navio New Flame, em 2007, antes de se decidir a remover os destroços das águas espanholas. Polémicas à parte, desde 2004, têm avançado as negociações diplomáticas entre os dois países. Sem falar de soberania, as duas partes procuram fortalecer a cooperação, as ligações aéreas foram retomadas, e a cooperação em matéria de segurança ou a luta contra a fraude fiscal são foi relançada. Para Moratinos é através da diplomacia que se poderá, a longo prazo, conseguir reconciliar Gibraltar com Espanha.