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África do Sul: revolta face às promessas não cumpridas

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África do Sul: revolta face às promessas não cumpridas

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Quinze anos depois do fim do Apartheid na África do Sul, a decepção face às promessas do ANC de Nelson Mandela deu lugar à revolta, nos bairros de lata de Joanesburgo.

Há uma semana que habitantes e polícia se envolvem em confrontos, à margem de manifestações contra as condições de vida precárias nos bairros mais pobres da cidade. O presidente Jacob Zuma ameaça recorrer à força para colocar um ponto final na violência. Um em quatro sul-africanos está desempregado e a economia do país mais desenvolvido do continente deve registar uma retracção de dois por cento este ano. Três meses depois da eleição de Zuma, os habitantes dos bairros de lata esperam que o presidente cumpra aquilo que prometeu na campanha: o combate à pobreza. David Siyathokoza, residente: “Em vinte anos, não aconteceu nada. Não há desenvolvimento, não temos nada que nos ocupe, não há desenvolvimento para os jovens. Não há instalações nem emprego.” Mais de oito milhões de pessoas vivem nestes bairros, sem água, nem electricidade. Um número quatro vezes inferior ao do tempo do Apartheid, mas que tem tendência para aumentar, face à recessão económica que assola o país. Bheki Mavimbela, residente em Thokoza Township: “Gostava que o presidente Zuma tirasse daqui estas barracas e contruisse casas em condições, com dois ou três quartos e casas de banho.” Na quarta-feira, centenas de manifestantes pediram a demissão de vários responsáveis do ANC, em Joanesburgo. A revolta afecta todas as camadas da sociedade. Os funcionários públicos e os trabalhadores das minas ameaçam fazer greve, face ao aumento dos preços e à escalada do desemprego. Um cenário social que coloca em risco o consenso político conseguido por Mandela. Sindicatos e comunistas podem vir a retirar os seus ministros do governo de coligação. Apesar de tudo, Zuma parecia confiante, a semana passada, na festa dos 91 anos do líder histórico do ANC. “Aprecie a reforma, não se preocupe, o ANC está em boas mãos”, assegurou o presidente sul-africano, ao dirigir-se a Nelson Mandela. Com a greve dos funcionários públicos marcada para segunda-feira, a herança de Mandela pode tornar-se um fardo bem pesado para Jacob Zuma.