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Patriarca de Moscovo faz visita polémica à Ucrânia

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Patriarca de Moscovo faz visita polémica à Ucrânia

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Em Fevereiro deste ano, o metropolita Kirill de Smolensk e Kalininegrado foi entronizado décimo sexto Patriarca de Moscovo. Torna-se, então, chefe da Igreja Ortodoxa mais importante do mundo, a Igreja russa.

Antigo chefe da diplomaca da Igreja, traz à missão sacerdotal a sua experiência diplomática e as suas capacidades políticas. Qualidades que saberá, sem dúvida, utilizar neste périplo pela Ucrânia, onde a ortodoxia se dividiu em três vertentes: a Igreja sob a alçada do Patriarcado de Moscovo, dirigida pelo metropolita Volodymyr; a Igreja sob a alçada do patriarcado de Kiev, dirigida pelo Patriarca Filaret e a menos importante, a igreja ucraniana – autocéfala – dirigida pelo metropolita Mefody. As divisões surgiram na sequência da independência da Ucrânia, em 1991, quando muitos ortodoxos ucranianos manifestaram a vontade de se afastar do patriarcado de Moscovo. Outros preferiram ficar com o chefe espiritual Volodymyr. Com 11.300 paróquias, o patriarcado de Moscovo é o mais representativo, mas não o mais importante em número de fiéis. De acordo com as sondagens, com apenas quatro mil paróquias, o patriarcado de Kiev terá muito mais fiéis que o de Moscovo. As tensões entre as duas cúpulas da Igreja Ortodoxa não páram de crescer desde que, em 1997, o patriarca Filaret foi alvo de um anátema lançado pela Igreja Russa por causa da sua dissidência. Filaret não tem evitado as tomadas de posição política, como fez em 2004, aquando da Revolução Laranja: “Com os últimos acontecimentos, as eleições falsificadas, o povo levantou-se e devo dizer que a Igreja está com o povo, apoia-o e vai apoiá-lo sempre”, afirmava. Um nacionalismo característico das igrejas ortodoxas em que a Ucrânia não é excepção. E não será a visita de Kirill, certamente, a dar início ao degelo nas relações entre Kiev e Moscovo.