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Grandes Ameaças, micro soluções


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Grandes Ameaças, micro soluções

Infelizmente, os incêndios invadem a terra durante o Verão.

Este fogo destruíu 1000 hectares de floresta mediterrânica, no norte de Atenas, na Grécia. Quinhentos bombeiros e voluntários combateram as chamas durante 20 horas. Apesar de controlado, o fogo ficou longe de ser extinto.Na corrida contra tempo e no meio do caos, Burkhard Wiggerich, um engenheiro alemão, testa um estranho robô voador. “Com este equipamento podemos elevar-nos em poucos minutos a uma altura de 100 a 150 metros e obter informações concretas sobre a situação do incêndio. Podemos localizar os focos de incêndio mais rapidamente e saber onde se encontram as forças de intervenção; se estão próximas, decidir como guiá-las até aos locais afectados”. O robô voador é na realidade um “microdrone”. As suas sofisticadas câmaras permitem-lhe olhar de uma altura impossível para os homens; mesmo por cima do coração do incêndio florestal. Este equipamento pode fornecer informações preciosas aos bombeiros e ajudá-los no trabalho arriscado. “Durante a noite, aviões e helicópteros estão proibidos de voar sobre os fogos. Este é um meio alternativo para nos ajudar a vigiar a situação. Este veículo pode ver onde os bombeiros não podem e mover-se num declive em chamas, como é o caso desta noite. Rapidamente nos diz o que está a acontecer e quais as melhores decisões a tomar”, explica Nicklos Floros, chefe dos bombeiros gregos. O microdrone é um robô voador criado por um projecto de pesquisa europeu para facilitar o acesso aos locais problemáticos. Neste fogo, junto de Atenas, o engenheiro mostra aos bombeiros as qualidades desta invenção. Pesa menos de um quilo e meio; tem mais ou menos uma hora de autonomia de voo; e pode carregar até 200 gramas em material. “Funciona com quatro motores, dois do lado esquerdo e dois do direito. É estável durante o voo e muito bem equipado electronicamente, tornando mais fácil a vida a quem o opera. O reconhecimento da área é também feito por GPS, esclarece o engenheiro alemão. Mas as funções do microdrone não se ficam por aqui. Os responsáveis pelo projecto dizem que o microdrone pode ajudar em outras catástrofes naturais, como inundações ou no controlo de uma rebelião urbana. Para que alguma destas aplicações seja concretizada é preciso enfrentar alguns desafios, como refere Cristophe Leroux, coordenador do projecto de Microdrones. “Os desafios técnicos são tentar ultrapassar as limitações do sistema GPS que existe no drone, para o fazer chegar aonde ele ainda não consegue; por exemplo, quando estamos muito perto dos obstáculos, nessas circunstâncias o drone não consegue posicionar-se e perde o controlo e a máquina pode perder-se ou ficar danificada. No futuro, o ideal seria que estes veículos tivessem mais autonomia, de maneira a permitir aos operadores concentrar-se nas operações que dirigem, em vez de nos problemas técnicos dos drones”. É por isso que especialistas informáticos, como a alemã Chunrong Yuan, estão a desenvolver sofisticados cálculos algorítmicos que permitam ao drone identificar movimentos ou obstáculos estáticos, por si próprio. “Está a ver os pontos pretos são obstáculos estáticos e os pontos vermelhos mostram como as pessoas se movem numa situação. Este mecanismo foi desenvolvido propositadamente para evitar o choque com obstáculos. No ar é mais dificil identificar os obstáculos em movimento. Principalmente porque não estão parados e a câmara incorporada no drone também se move. Assim precisamos de diferenciar dois tipos de movimentos”. Seguimos agora para Paris. É aqui, no centro de robótica da Comissão Francesa para a Energia Atómica, que os investigadores procuram desenvolver sistemas que melhorem a autonomia do drone. O principal objectivo é desenvolver uma espécie de piloto automático para o aparelho, como mostra Laurent Eck, engenheiro de robótica. “Vamos ensinar uma trajetória ao drone. Para isso usamos uma câmara que faz o reconhecimento do solo e memoriza o caminho. No regresso, o drone usa o mesmo caminho. Agora não estou a comandar o drone. Está a usar, automaticamente, a informação programada de quando voou na direcção contrária e regressa de novo ao ponto de partida. O objectivo é aliviar o operador da tarefa de pilotar o robot, assim ele não tem de se concentrar no drone mas sim na missão de observar o que está a acontecer”. Os cientistas também desenvolveram cenários de realidade virtual que permitirão ao microdrone preparar melhor as suas operações. O software simula diferentes condições de voo – fortes rajadas de vento ou a passagem por terrenos acidentados, são alguns dos desafios que se colocam ao drone em tempo real. “Aqui vemos o que o drone vê com a câmara. Assim podemos saber, comparando com a trajectória programada anteriormente, se o drone é capaz de observar as zonas que nos interessam. Isto permite-nos verificar se o que foi pré-programado vai ser concretizado pelo drone, durante a simulação”, refere Manuel Carballeda, director do projecto europeu. Longe das simulações, os incêndios florestais são uma negra realidade todos os verões, na Grécia, e em outros países do Mediterrâneo. Os bombeiros e os voluntários precisam desesperadamente de ajuda nas respectivas missões. “Espero que as câmaras por cima de nós nos ajudem a compreender o nosso inimigo e assim a prepararmo-nos melhor. O nosso trabalho é muito difícil e arriscado. Durante o dia podemos morrer queimados e à noite podemos partir as pernas. Por isso qualquer ajuda é muito bem vinda”, apela Vassilis Petrakis, bombeiro grego em part-time. Para mais informações consulte: http://www.ist-microdrones.org

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