Última hora

Última hora

50 anos de Fatah

Em leitura:

50 anos de Fatah

Tamanho do texto Aa Aa

A Fatah de hoje já não é a organização forte e prestigiada que era em 1989, ano do último congresso do Movimento de Libertação Nacional da Palestina.

O partido de Yasser Arafat era, na época, o principal membro da OLP, que reconheceu o direito de existência do Estado de Israel um ano antes. Pela primeira vez os membros do governo de uma Autoridade Palestiniana ainda hipotética reuniam-se em Tunes. Yasser Arafat era a figura maior do movimento, formado no Koweit em 1959, com o objectivo de organizar a resistência palestiniana independente. Depois de anos de luta armada com Israel, a Fatah reorienta a sua política em direcção ao reconhecimento da causa palestiniana. O que levou a negociações secretas com o Estado judaico, mediadas pelos Estados Unidos, que resultaram nos Acordos de Oslo, em 1993. Três anos depois, nasce a Autoridade Palestiniana, encabeçada pela Fatah nas mais altas funções do Estado, como na administração e nas forças de segurança. A forte presença do movimento leva a que fique directamente associado aos fracassos e à corrupção endémica da Autoridade Palestiniana. Com o início da segunda Intifada em 2000, a Fatah que defendia as negociações de paz com Israel perde terreno para o Hamas, o movimento islamita criado em 1987 e que preconiza a destruição do Estado hebraico. A morte de Yasser Arafat em Novembro de 2004 deixa um vazio no seio do partido. Mahmoud Abbas, sucessor de Arafat como líder da Autoridade Palestiniana não ocupa o lugar. É o início do conflito entre a velha guarda e a nova geração da Fatah. Esta situação enfraquece ainda mais o partido, que em 2006 perde as eleições legislativas para o Hamas. Pela primeira vez, a Fatah perde influência nos territórios palestinianos e vê-se obrigada a fazer uma coligação com o movimento islamita. A co-existência das duas formações palestinianas no poder dura 18 meses e termina com a guerra civil de 22 dias em Junho de 2007. O Hamas de Isamail Haniyeh assume o controlo da Faixa de Gaza. A Cisjordânia continua debaixo do comando da Fatah de Mahmoud Abbas. A organização perdeu a Faixa de Gaza e continua associada à corrupção e incompetência que têm manchado a reputação da Autoridade Palestiniana. E por agora, as tentativas de reconciliação entre a Fatah e o Hamas, sob a égide do Egipto, não tiveram quaisquer resultados.