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Ahmadinejad enfrenta fim do "maná do petróleo"

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Ahmadinejad enfrenta fim do "maná do petróleo"

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Para além de toda a controvérsia que rodeou a reeleição, Mahmud Ahmadinejad tem uma espinhosa missão neste segundo mandato: relançar a economia iraniana, que tal como todos a dos outros países, não escapou à crise.

Nesta matéria, os quatro anos que durou o primeiro mandato não foram brilhantes. O desemprego passou dos 10,5% para os 17% da população activa e afecta sobretudo os jovens com menos de 30 anos, que representam dois terços da população de 71 milhões. Um iraniano em cada cinco vive abaixo do limiar da pobreza. A grande base da economia, o petróleo, deixou de ser a galinha dos ovos de ouro que foi em tempos. O ouro negro representa 60% das receitas fiscais do país. Mas entre Junho e Dezembro as cotações caíram a pique. Dos 150 dólares, o preço do barril caíu para os 32, o que teve efeitos imediatos na economia iraniana. Isto porque a política populista, de pagar altos subsídios aos mais pobres, deixou o país com poucas reservas. “Partilhar o maná do petróleo” foi um dos slogans de campanha de Ahmadinejad em 2005. Uma das consequências foi o aumento da inflação, que passou dos 11% de 2005 aos 25%, registados pouco antes das últimas presidenciais. O Irão tem poucas infraestruturas para a exploração do petróleo. O país precisa de investidores, mas o programa nuclear e a política anti-ocidental jogam contra o presidente. O apelo às sanções, feito por Washington, Londres e Paris está a dar resultado e muitos bancos, no Ocidente, boicotam o país. Esta situação, que estrangula a economia iraniana, fez o Fundo Monetário Internacional rever em baixa as previsões. Para este ano, o FMI prevê que o país tenha um crescimento económico de 3,2%, contra 8% por cento há apenas dois anos. E, segundo muitos economistas, estas são previsões demasiado ambiciosas.