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As bases da polémica na América Latina

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As bases da polémica na América Latina

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O anúncio da instalação de sete bases norte-americanas na Colômbia parece estar a ressuscitar velhos fantasmas do passado na América Latina.

Durante um encontro com estudantes venezuelanos, Fidel Castro retomou o fôlego depois de um período de silêncio, e utilizou a retórica da Guerra Fria para defender o regime do amigo Hugo Chavez. “Não somos livres…e ninguém tem o direito…onde está a soberania das repúblicas da Venezuela e de Cuba? Foi jogada fora…esmagada, e podemos demonstrá-lo”. A viragem da América Latina à esquerda reconfigura o mapa político da região. A Colômbia continua a ser um dos poucos aliados de Washington. O contrato com o Equador para a a manutenção da base de Manta expirou em Julho e não parece que o presidente Correa o pretenda renovar. A luta contra os carteis de droga na região parece estar comprometida… No entanto, o orçamento militar aumentou 50 por cento na região durante a última década. O Brasil lidera a lista, com a Colômbia e a Venezuela logo atrás. O armamento chinês e russo têm afluido com intensidade a Caracas. E quanto mais se renova o material bélico maiores são as tensões regionais. Hugo Chavez incitou o chefe da diplomacia venezuelana a preparar a ruptura de relações com a Colômbia. “Porque as sete bases Yankee são uma declaração de guerra contra a revolução bolivariana, à qual há que responder.” Este discurso de confrontação tem sido utilizado como instrumento político pelo presidente colombiano Álvaro Uribe. Eleito para acabar com a geurra com as FARC não hesitou em acusar a Venezuela de vender armas aos rebeldes marxistas. Oficialmente, a Casa Branca reforça o contingente militar na Colômbia para combater o tráfico de droga e o terrorismo. O senador colombiano Juan Manuel Galan explica que, dada a realidade da situação da política, a Colômbia precisa ter recursos credíveis de dissuasão externa, no caso de conflito armado. É vital para qualquer Estado soberano. Enquanto aparecem cartazes a incitar Hugo Chavez para abrir os olhos em relação à aliança da Colômbia com os Estados Unidos, o Brasil continua incólume a armar-se longe de qualquer foco de tensão. É o exército mais poderoso da América Latina.