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O regresso após 70 anos

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O regresso após 70 anos

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Os cabelos brancos não escondem o passar do tempo. Há 70 anos eram apenas crianças obrigadas a abondonar Londres para fugir aos bombardeamentos.

Nas etiquetas o nome e o destino, uma espécie de bilhete de identidade. Cerca de 750.000 crianças partiram sozinhas. “O meu pai comprou-me este urso quando eu era um bebé. Foi com ele que deixei a cidade em 1939. Há 10 anos esteve comigo na abadia de Westminster, por isso, tinha de estar aqui hoje” afirma uma mulher. Um britânico refere que “havia um receio de não puder voltar a casa” porque, adianta, “quando somos pequenos o tempo custa mais a passar. Lembro-me de perguntar ao meu tio Cyril, sabes quanto tempo aqui estive? Pensava que ele ia dizer três ou quatro anos, mas ele disse cerca de seis semanas.” Estima-se que cerca de três milhões e meio de pessoas tenham sido obrigadas a abandonar vilas e cidades, durante aquele que ficou conhecido como o maior exôdo da população da história britânica. Passadas sete décadas, milhares de pessoas falam do passado como uma lição de vida. Uma experiência que recordam com a alegria de quem voltou para partilhar uma estória em primeira mão.