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Teste nos ovócitos melhora a reprodução assistida

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Teste nos ovócitos melhora a reprodução assistida

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Por toda a Europa, as taxas de infertilidade estão a aumentar. Entre 12 a 15% dos casais em idade reprodutiva sofrem de uma forma ou outra de infertilidade. Apesar dos progressos feitos ao nível do tratamento, apenas 25 a 27% dos embriões implantados resultam num nascimento bem-sucedido. Para ter os seus dois filhos por fecundação in vitro, Charlotte passou por um processo desgastante:

“Comecei aos 25 anos. Ao final de um ano fiz um balanço. 2 anos depois de ter parado com a pílula comecei a fazer inseminações. Fiz 6 inseminações no total e depois passei à fecundação in vitro. E aí, tive de fazer 3 fecundações in vitro para, por fim, ter a alegria de um resultado positivo. Psicológicamente foi muito desgastante”. Muitas vezes, os médicos não conseguem explicar porque é que os embriões são implantados com sucesso ou não. Compreender porque é que tantos embriões são rejeitados seria um passo muito importante para melhorar os tratamentos de fertilidade. Para ajudar pessoas como Charlotte, foi lançado em 2004 o programa europeu EMBIC (Embryo Implantation Control) para melhorar a tecnologia de reprodução assistida. A investigação está a ser conduzida no laboratório de imunologia Centro Polivalente Cubo na cidade de Florença, em Itália. Para testar a compatibilidade dos embriões com o útero o mais cedo que for possível, o líquido folicular em torno dos óvulos é analisado numa máquina, a Luminex, capaz de ver a composição deste líquido a partir de uma amostra minúscula. Dra. Marie-Pierre Piccini, investigadora no laboratório de imunologia Centro Polivalente Cubo: “Descobrimos que no líquido folicular há uma molécula presente chamada G-CSF. Sabemos que o ovócito deste líquido folicular irá implantar-se. Portanto é um novo bio-marcador, o único que conhecemos até agora, que permite seleccionar o ovócito com o mais alto potencial de implantação”. Graças a este aparelho de análise, e a este marcador descoberto no líquido que rodeia o óvulo, os cientistas são capazes de determinar a capacidade de um embrião ser implantado com sucesso num útero. Segundo a equipa do EMBIC, este avanço permite calcular a probabilidade de sucesso de uma implantação. Os resultados são muito positivos nas fecundações in vitro: os riscos de gravidez múltipla foram reduzidos e sabe-se à partida a probabilidade que os ovócitos têm de ser implantados com sucesso. Dra. Nathalie Lédée, ginecologista: “Este teste irá permitir-nos saber que mulheres não necessitam de uma híper estimulação dos ovários e pode dar-nos pistas importantíssimas para as mulheres, porque elas vão saber à partida as reais possibilidades de terem um bebé saudável. Por isso, é muito importante”. Este teste para determinar a compatibilidade do ovócito com o útero estará pronto dentro de pouco tempo. Desta forma será possível evitar a utilização de embriões não viáveis nas fecundações in vitro. A aplicação desta investigação da EMBIC vai permitir aumentar as taxas de sucesso nos tratamentos de fertilidade e simultaneamente reduzir o número de tratamentos de fecundação, o que naturalmente irá reduzir o desgaste para a mulher normalmente associado à reprodução assistida.