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Europa não tem "Plano B" para um 'não' irlandês ao Tratado de Lisboa

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Europa não tem "Plano B" para um 'não' irlandês ao Tratado de Lisboa

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Se a Irlanda não disser ‘sim’ ao Tratado de Lisboa não há Plano B. Quem o diz é Fredrik Reinfeldt, o primeiro-ministro sueco e presidente em exercício da União Europeia. O apoio ao Tratado, que vai novamente a referendo a 2 de Outubro, baixou 8 pontos nas sondagens e não ultrapassa agora os 46%.

Sem plano “B”, os dirigentes europeus fazem figas para que o ‘sim’ ganhe. “Continuo a ter esperança que os irlandeses digam ‘sim’ ao Tratado de Lisboa, depois de todas as concessões que os outros Estados membros fizeram, para responder aos problemas que surgiram aquando do último referendo”, diz Durão Barroso. O presidente da Comissão Europeia continua: “A Irlanda beneficiou imenso da solidariedade europeia. Para dar uma ideia, a Irlanda representa apenas 1% do Produto Interno Bruto comunitário e beneficiou de 15% das reservas do Banco Central Europeu. Se a Irlanda não fizesse parte do Euro, se a Irlanda não fosse membro da União Europeia, teria tido uma bancarrota, como a Islândia.” O problema é que o número de indecisos não pára de aumentar. Segundo uma sondagem do Irish Times, eles são 25% – uma percentagem capaz de inverter a magra tendência de vitória do ‘sim’. Brian Cowen bem se empenha na campanha a favor do Tratado reformador da Europa. Mas, segundo o jornal, o recuo do ‘sim’ deve-se exactamente à queda livre da popularidade do primeiro-ministro irlandês, causada pela recessão económica que o outrora Tigre Celta atravessa agora. O ano passado, 53% dos irlandeses disse ‘não’ ao texto. Em causa, preocupações sobre a neutralidade militar do país, a fiscalidade, o aborto e o facto de quererem manter um comissário em Bruxelas. Preocupações sobre as quais os restantes Estados membros deram agora garantias à Irlanda. Resta ver se isso chega para convencer os irlandeses – que continuam, contudo, a afirmar-se profundamente pró-europeus.