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A longa queda de Berlusconi

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A longa queda de Berlusconi

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Os escândalos da vida privada do primeiro-ministro italiano parecem distantes de se tornarem numa questão de Estado.

A popularidade de Berlusconi entre a população católica recuou apenas 5% nas últimas semanas. Mas depois de ter sobrevivido incólume a vários processos judiciais, o político parece começar a perder a imunidade dentro do seu próprio campo. Dois jornais de direita revelam hoje que mais de trinta mulheres participaram em 18 festas íntimas na residência do chefe de governo. Nada de surpreendente para esta italiana, “não são estes escândalos que vão fazer com que Berlusconi abandone o poder”. Outro afirma: “Atravessamos tempos conturbados na nossa vida política, e a vida privada dos nossos políticos é muitas vezes utilizada para os denegrir. Mas para mim todos são livres do fazerem o que quiserem em privado”. Outra sublinha: “Essas histórias não me interessam, não são mais do que rumores e tretas”. A imprensa de direita e os meios próximos da igreja católica começam pela primeira vez a evocar a possível saída de cena do político, há quinze anos no poder. Única reacção de Berlusconi, perseguir em tribunal a imprensa nacional e internacional que tem revelado os escândalos. Das relações com menores, às orgias na Sardenha, passando pelas gravações das conversas picantes com uma prostituta de luxo. Um estilo de vida que levou a mulher, Veronica Lario a pedir o divórcio há alguns meses. Falta saber, a nível político, quando é que os italianos abandonarão “il cavaliere”, um apelido que se arrisca a ganhar um novo sentido.