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Antes das eleições alemãs, tiram-se "cadáveres do armário"

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Antes das eleições alemãs, tiram-se "cadáveres do armário"

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O nuclear contamina a campanha eleitoral alemã. Desta vez, a mina de sal de Gorleben, destinada a armazenar os detritos nucleares: segundo as críticas é menos segura do que há 26 anos…

Era chanceler Helmut Kohl, o líder histórico da CDU, era chanceler. Em 1983, o ministério da Investigação pediu por correio, à Agência Federal encarregue de avaliar a segurança da lixeira nuclear, para suavizar as conclusões. O relatório destacava o risco de fugas radioactivas para a napa freática, e mesmo de inundação de Gorleben. O jornal de Munique, Süddeutsche Zeitung, revelou a manipulação esta semana, em plena campanha eleitoral para as legislativas de 27 de Setembro. Ontem, o ministro do Ambiente, o social-democrata Sigmar Gabriel, pressionava mais um pouco: “Precisamos de um processo totalmente aberto e transparente, e não este jogo escondido e secreto da diplomacia, que foi feito em relação a Gorleben”. Apesar dos protestos contra a energia nuclear durante o mandato, Heinz Riesenhuber, ministro da Investigação em 1983, respondeu-lhe: “Não sei se o relatório foi alterado porque nunca o vi, nem quando o começaram a elaborar nem quando o acabaram e não é assunto que me diga respeito. Nós, ministros, trabalhamos assim: confiamos nas pessoas que fazem o trabalho.” Os colaboradores da chanceler Angela Merkel criticaram o momento escolhido para fazer revelações sobre os arquivos de Gorleben dos anos 80, mas comprometeram-se a estudá-los. Isto acontece precisamente quando os democratas cristãos se propunham prolongar a vida das centrais nucleares mais uma década. As 17 centrais nucleares alemãs tinham fecho previsto para 2020. Mas, na ruas, é o regresso ao “Nuclear? Não, muito obrigado”, dos anos 80. Só 7 por cento dos alemães consideram que o nuclear é uma solução energética.