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Lixo nuclear da Mafia calabreza no Mediterrâneo é a ponta do véu

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Lixo nuclear da Mafia calabreza no Mediterrâneo é a ponta do véu

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O Cunsky, o navio de cerca de 120 metros de comprimento que foi afundado a uma profundidade de 500 metros pela mafia calabresa, N’Drangheta, não foi o primeiro a sofrer tal destino. Devem estar 32 cargueiros com produtos tóxicos no fundo do Mar Mediterrânico.

No porão do Cunsky estão 120 bidons de detritos radioactivos, encontrados no sábado ao largo da Calábria, graças ao testemunho do mafioso arrependido Francesco Fonti. A Mafia calabresa terá sido paga nos últimos 20 anos, para afundar o lixo nuclear…políticos europeus, altos funcionários e empreiteiros que quiseram contornar a lei. Em 2007, oito responsáveis de uma instituição pública de pesquisa energética já tinham sido apontados como supeitos. Graças às imagens subaquáticas, o Tribunal de Reggio-Calabria procura determinar a origem dos detritos vindos do estrangeiro, sem dúvida da Europa do Norte, conforme as primeiras investigações. Este caso acaba por colocar em destaque outros processos suspeitos ao longo dos anos por diferentes grupos ambientalistas como o Greenpeace, o Legambiente ou WWF, que denunciaram o envolvimento da N’Drangheta no desaparecimento de cargueiros de transporte de lixo nuclear. Casos que não dizem respeito apenas à Itália , segundo Silvestro Greco, responsável da protecção do ambiente da região da Calábria: “Este problema não é só nosso, é de toda a comunidade internacional. O Mar Mediterrâneo constitui apenas 0,7 por cento dos mares do planeta. nesta pequena porção há mais de 30 embarcações destas, imagine-se no resto do mundo”. Foram constituídas duas comissões parlamentares de italianas – antimafia e lixo nuclear – para ouvirem Silvestro Greco a partir de 24 de Setembro. Apesar de ter sido constituida, também, uma célula governamental, muitos políticos defendem que Silvio Berlusconi visite o local ou que classifique este assunto ambiental como urgente. Um relatório médico ainda não divulgado relaciona a alta taxa de mortalidade por cancro em várias comunidades da província calabreza de Cozenza nos últimos 15 anos.