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"O espectáculo do quotidiano" na Bienal de Arte Contemporânea de Lyon


Cultura

"O espectáculo do quotidiano" na Bienal de Arte Contemporânea de Lyon

O espectáculo do quotidiano desenha-se em Lyon, em França, através de moldes das nossas vidas.

De acordo com Hou Hanru, curador do evento montado em tempo recorde – sete meses-, o conceito por trás da bienal é abrangente e não centrado na “arte pela arte”: “O que me interessa é o conceito transmitido pela obra de Joseph Beuys, segundo o qual cada um de nós é um artista. Não se trata de entrar no mundo do estrelato, mas sim de encontrar as ligações entre a nossa vida e as vidas social e a política. Nesse sentido não me interessa o conceito Andy Warhol, mas sim o de Joseph Beuys.” Hou Hanrou, actualmente, divide o seu tempo entre Paris e São Francisco. Do artista Barry McGEE, também de São Francisco, é-nos apresentado um trabalho sobre artistas de rua na forma de graffitti. Do colectivo turco Ha Za Vu Zu chega-nos um trabalho baseado no conceito “agit-prop”, teatro de rua e técnicas performativas reflectidos numa explosão selvagem audio-visual. Eulàlia Valldosera, de Barcelona, instala-nos entre dois mundos: “O meu trabalho consiste em aproximar os domínios privado e público, diluir as barreiras entre eles, entre a arte e o que nós podemos criar com os nossos meios.” A artista utiliza e reutiliza objectos do quotidiano para bricnas com a arte e criar instalações que podem ser uma sala de jantar com um carrinho de bébé que se movimento à sua volta em círculo. O Grupo chinês Yang Jiang inspirou-se na instável colectividade e no contraditório clima social da sua cidade natal Yangjiang, com ironia, onde se come e se fuma muito. Guo Gu Zheng do colectivo Yang Ying Group, explica: “Tudo o que se vê parece ter um lado muito comunista, uma espécie de acção colectiva. Por exemplo, quando uma pessoa se levanta, todos os outros seguem-na. Todos agem da mesma forma, compartem o momento.” Um gigantesco mapa urbano em linóleo colocado no chão é a proposta da marroquina Latifa Eckakhck e representa a periferia urbana: “Este trabalho recupera os elementos do arquivo de Le Corbusier, da sua fase inicial, cheia de ideias progressistas sobre arquitectura e urbanismo, sobre a construção das grandes cidades e das grandes aglomerações, e mistura-os com o que são hoje as cidades periféricas.” Casar um bairro francês problemático com marionetas é a proposta do indonésio Eko Nugroho: “Trata-se da história da população de Vaulx-en-Velin. A maior parte dos titereiros vive nesse bairro periférico. É a história das suas vidas.” Bernard Fontaine, titereiro que participa na obra de Eko acrescenta: “É uma história de encontros e de palavras entre duas culturas. Uma bela energia colectiva.” Esta é uma bienal para ver até 3 de Janeiro em Lyon, França.

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