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Começou processo Clearstream

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Começou processo Clearstream

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De escândalo financeiro, o caso Clearstream tornou-se rapidamente num assunto de Estado com altas personalidades envolvidas. Um caso complexo com os ingredientes próprios de uma trama política: rivalidades, calúnias e denúncias anónimas.

Tudo tem origem na Clearstream, uma das principais sociedades europeias de gestão de títulos e obrigações sediada no Luxemburgo. E no centro do caso está uma lista de clientes da clearstream manipulada para demonstrar que certas contas usadas para fazer transitar dinheiro proveniente de subornos e desvio de fundos de um escândalo precedente, o da venda de fragatas francesas a Taiwan. Um vasto caso envolvendo a Thomson (hoje chamada Thales), a Elf e também o governo francês com o juiz Van Ruymbeke encarregue do inquérito judicial. É neste contexto que em 2004 uma pessoa anónima envia ao juiz as famosas listagens manipuladas. Acaba-se por saber que foi um auditor estagiário da Clearstream, Florian Bourge , e o jornalista Denis Robert que forneceram o documento a Jean Louis Gergorin, vice-presidente da EADS e Imad Lahoud, um brilhante matemático. As listas foram então dadas a conhecer ao na altura ministro dos Negócios Estrangeiros, Dominique De Villepin, que ordenou ao responsável da EADS que as entregasse à justiça. Na listagens surgiam nomes de grandes industriais e políticos, em particular o do actual presidente Nicolas Sarkozy, indiciando o recebimento de luvas no âmbito do caso das Fragatas. A grande incógnita agora é saber se o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros e também antigo primeiro-ministro desconhecia que as listas eram falsas ou se terá agido de forma premeditada para arruinar a chances de Sarkozy na corrida à presidência de 2007, pois era o seu grande rival apesar de companheiro de partido. “Para lá dos detalhes, muito complexos para que todos compreendam, o que existe é uma batalha entre dois políticos franceses. Quem vai ganhar”, referiu um analista. Nesta óptica, Sarkozy já triunfou pois foi eleito presidente de França em 2007. Hoje, isolado, De Villepin está à beira de perder tudo. Pode ficar inelegível por um período que vai dos 5 aos 10 anos, o que será a sua sentença de morte política.