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O declínio do SPD na Alemanha

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O declínio do SPD na Alemanha

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1998: O SPD estava no auge. Gerhard Schroeder chegava à chancelaria. Uma vitória da esquerda que marcou o fim de dezasseis anos de poder de Helmut Kohl e o despontar de uma nova geração política que seduziu os alemães.

11 anos depois, o SPD vive uma derrocada histórica. Ontem à noite, o candidato Frank-Walter Steinmeier reconheceu a amarga derrota do partido. Obrigado a juntar-se às fileiras da oposição, Steinmeier ainda espera fazer-se ouvir. isso apenas acontecerá se for eleito líder parlamentar do SPD no Bundestag. Mas o que é que se passou entretanto? De 1988 até agora, os sociais-democratas foram progressivamente perdendo a confiança dos eleitores alemães. Conhecida como o Volkspartei, ou partido do povo, a formação não conseguiu melhor que 23% dos votos em 2009. Uma quebra eleitoral que castiga directamente a aliança pouco natural entre o SPD e a CDU, a grande coligação que talvez tenha funcionado demasiado bem para os eleitores de esquerda. A Grande Coligação conseguiu roubar eleitorado do centro-direita aos sociais-democratas. A aliança usou um partido que já estava contudo em plena crise ideológica. Uma crise denunciada bastante cedo por Oskar Lafontaine. O antigo presidente do SPD e ex-ministro das Finanças do executivo Schroeder rejeitou a Realpolitik, rapidamente abandonou o governo e em seguida o SPD. Em ruptura com os sociais-democratas ele vai orquestrar a criação do partido da esquerda radical Die Linke entre 2005 e 2007. Saído da reunião entre um grande partido neocomunista de leste e de uma pequena formação radical da zona ocidental, o Die Linke tornou-se o principal concorrente do SPD. Mais atraente para os jovens, para os neocomunistas da antiga RDA ou para os socialistas desencantados, o Die Linke de Lafontaine soube trazer à ordem do dia os temas identitários da Esquerda. Delapidado à direita pela CDU, e à esquerda pelo Die Linke, o SPD deve agora encontrar uma nova identidade, um novo fôlego e um novo eleitorado.