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Irão/nuclear: um passo em frente, outro atrás

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Irão/nuclear: um passo em frente, outro atrás

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A revelação da existência de uma segunda central de enriquecimento de urânio no Irão, escondida num campo de Guardas da Revolução, e os tiros de mísseis de longo alcance provocaram uma onda de indignação internacional na véspera da reunião que devia relançar as negociações. Provocação, clamam os ocidentais; estratégia clássica, respondem especialistas como Joseph Cirincione:

“Às vezes, países como o Irão e a Coreia do Norte fazem esse tipo de espectáculo de virilidade, em grande parte para fins domésticos, antes de fazer uma concessão. O presidente iraniano, Ahmadinejad, está em uma posição muito dura, com a pressão internacional, a pressão nacional, e, de certo modo tem pouco escolha, mas de fazer concessões .” O Irão só revelou a existência de uma central nuclear dissimulada na montanha de Qom, depois de saber que os ocidentais a tinham descoberto há anos, o que prova que os iranianos mentem. O Irão tem agora um total de 11 mil centrifugadoras de enriquecimento de urânio. Por isso o Ocidente, com o aval da Rússia, pela voz de Barack Obama, endureceu o tom das negociações: “Eles vão ter de vir limpos, e vão ter de fazer uma escolha. E será que estão dispostos a percorrer o caminho, e desistir da aquisição de armas nucleares? Ou vão continuar por um caminho que leva ao confronto? “ O grupo das cinco potências do Conselho de Segurança da ONU mais a Alemanha tem propostas de apaziguamento mas com uma condição sine qua non: a suspensão do enriquecimento de urânio, que tanto serve fins civis como para fazer bombas atómicas. E essa é a condição que o Irão rejeita categoricamente. Teerão prefere discutir o pacote de propostas que apresentou na ONU, há uma semana. “A promoção da paz duradoura e amizade; a erradicação da corrida ao armamento e a eliminação de todas as armas nucleares, químicas e biológicas para pavimentar o caminho a todas as nações para o acesso a tecnologias avançadas e pacíficas para o progresso dos seres humanos”. O credo de Ahmadinejad “energia nuclear para todos e bomba atómica, para ninguém”, não tem eco em Washington. Antes do espectacular anúncio sobre a montanha de Qom, a AIEA já avisava para a capacidade de Teerão construir bomba atómica em 2010. Adivinha-se um novo impasse nas negociações.