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De Bruxelas à Irlanda

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De Bruxelas à Irlanda

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Basta um pequeno passo para se passar de Bruxelas à Irlanda. Pelo menos quando se trata de atravessar a rua entre a Comissão Europeia e o bar irlandês mesmo em frente, mas é um grande caminho a percorrer quando se trata de um povo que já uma vez disse não ao Tratado de Lisboa.

Para Tony Connoly, o correspondente da RTE, a televisão irlandesa, graças à crise, o eleitorado está agora mais próximo da Europa: “O Tigre Celta foi aniquilado de um dia para o outro e isso tornou o eleitorado irlandês mais sóbrio. Muita gente vai votar ‘sim’ porque acha que, sem a Europa, não conseguimos debelar a crise. As pessoas sentem que a Europa foi economicamente benéfica para a Irlanda e não podemos virar as costas à Europa em tempos de crise.” Os defensores do ‘não’ pedem, uma vez mais, ao eleitorado que rejeite o Tratado de Lisboa. E acenam com o papão dos países grandes que vão decidir tudo em nome dos países pequenos. Um maniqueísmo que, para o analista Daniel Keohane, European Institute for Security Studies, não faz qualquer sentido: “Penso, sinceramente, que os países pequenos beneficiaram bastante com a União Europeia. As regras garantem que os países grandes se comportem bem. E essa é a beleza da União: a garantia de que todos têm um campo de acção justo. Por isso, eu diria que, em geral, os países pequenos são, de facto, os grandes beneficiários. Bruxelas e os governos têm é que explicar porque é que a União Europeia é do interesse das pessoas. E penso que é isso que tem faltado no debate, em geral.” As sondagens dão conta de que entre 48% e 68% dos irlandeses vai dizer ‘sim’ ao Tratado de Lisboa, no referendo desta sexta-feira. Uma fasquia que aumenta o suspense sobre se a Irlanda irá aproximar-se mais da União Europeia.