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Segundo "não" irlandês pode parar o alargamento

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Segundo "não" irlandês pode parar o alargamento

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A Europa não tem um plano B – os políticos não cessam de dizê-lo. Mas, na prática, o que é que se passa se a Irlanda rejeitar o Tratado? Sem ser ratificado pelos Vinte e Sete, o texto não entra em vigor.

A primeira consequência poderá ser umas grandes reticências no alargamento, como receia Dusan Gajic, correspondente da televisão sérvia em Bruxelas: “De certa forma, os países dos Balcãs podem transformar-se em danos colaterais da não adopção do Tratado de Lisboa. Já estamos a notar não só uma certa fadiga do alargamento mas, em certos países, um certo tipo de relutância face aos alargamentos em geral.” Se os Balcãs não entram, a Turquia entrará ainda menos. E sem a expectativa da adesão, a Turquia poderá muito bem pôr fim às reformas democráticas em curso. A analista Julia De Clerck, do Centre for European Policy Studies, estima, contudo, que, mesmo sem Tratado de Lisboa, nada impede o alargamento da União a novos países: “O processo de alargamento tem continuado, com altos e baixos, com o Tratado de Nice. O problema é puramente político. Já ouvimos o presidente Nicolas Sarkozy, mas também Angela Merkel – que começou agora o segundo mandato – dizerem que não querem que o processo de alargamento continue se o Tratado de Lisboa não for ratificado, se as reformas institucionais não se fizerem.” Mas o maior de todos os riscos que a União corre é o de se transformar numa Europa a duas velocidades, em que países como a França ou a Alemanha avancem sozinhos para as reformas previstas no Tratado de Lisboa.