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Movimento contra trabalhadores fronteiriços reforça-se em Genebra

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Movimento contra trabalhadores fronteiriços reforça-se em Genebra

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Todos os dias, cerca de 60 mil franceses atravessam a fronteira franco-helvética para trabalhar em Genebra. Esta migração diária esteve no centro das atenções durante as eleições para o parlamento do cantão suíço, este domingo.

Genebra tem uma taxa de desemprego de 7% contra uma média de 3,9 % na Suíça. Os partidos populistas aproveitaram estes dados para lançar uma campanha agressiva contra os trabalhadores transfronteiriços. Foi o caso da UDC, União Democrática do Centro, e do MCG, Movimento de Cidadãos de Genebra, que se tornou na segunda força política do cantão. “Para um partido com apenas cinco anos de existência trata-se de uma progressão nunca vista na história política de Genebra e penso que é uma resposta do povo a toda a classe política”, declarou o líder do MCG, Eric Stauffer. O MCG foi o grande vencedor destas eleições. O movimento nasceu em 2005, depois de uma ruptura com a UDC e diz não ser nem de esquerda nem de direita. Este domingo recolheu mais de 15 % dos votos, passando de 9 a 17 deputados, num parlamento com 100 assentos. Uma vitória obtida graças ao “slogan anti-transfronteiriço”, sustenta a jornalista suíça Françoise Chuard. “Em Genebra há 265 mil empregos e a população activa na cidade é de apenas 220 mil pessoas”, acrescenta a jornalista. A ascensão do MCG é preocupante para muita gente, particularmente para os partidos tradicionais que vêem o eleitorado fugir. Renaud Gautier, líder dos liberais, alerta para “a emergência de um discurso de tipo fascista.” E acrescenta que no discurso do MCG há “reminiscências do discurso italiano dos anos 20 e do alemão dos anos 25.” Apesar da ascensão, dificilmente o MCG pode conquistar um lugar no governo cantonal, onde as alianças são fundamentais. O Agrupamento Transfronteiriço Europeu relativizou o sucesso, lembrando que outros movimentos populistas já se destacaram em Genebra.